Além de ter que enfrentar na fila o forte calor dos últimos dias, os usuários do Pronto Atendimento Municipal (PAM), localizado na Área Central de Londrina, tiveram que esperar mais de três horas para serem atendidos na tarde de ontem. O motivo da fila era que somente um médico estava trabalhando no período da tarde. ''Normalmente nós temos dois, mas um deles está de férias'', explicou a gerente do PAM, Vera Lúcia Roncaratti.
A gerente justificou que em alguns dias eles tiveram substituto para o médico em férias, mas isto não ocorre sempre. Outro argumento utilizado por Vera é que muitas pessoas poderiam ser atendidas nos postos de saúde dos bairros. ''Eles vêm aqui porque fica na área central e o acesso de ônibus é mais fácil'', declarou Vera.
Porém, algumas Unidades Básicas de Saúde (UBS) encaminham os pacientes também por falta de estrutura. ''Eu fui lá no posto da Vila Casoni (Zona Leste) e não tinha médico. Aí me encaminharam para cá'', disse o mecânico Itamar Aguiar, de 30 anos, que chegou ao PAM por volta de 11 horas e até às 15 horas não tinha sido atendido. ''Eu estou com dor de cabeça e o corpo todo doi'', contou o mecânico, enquanto aguardava sua vez. Aguiar mora na Vila Yara, na Zona Leste.
Segundo informações de uma funcionária da UBS da Vila Casoni, dois médicos trabalham no período da manhã, mas ontem, um deles estava doente e o outro estava em férias. Nem mesmo o ginecologista da unidade apareceu para o atendimento. Os pacientes da região só tiveram assistência a partir das 15 horas quando a médica da tarde chegou.
Outra cidadã que procurou o posto da Vila Casoni também foi encaminhada para o PAM. A dona de casa Maria de Lourdes Sandi, de 40 anos, suspeitou que poderia estar com dengue, devido aos sintomas, e decidiu procurar um médico. ''Eu cheguei aqui e a recepcionista disse que teria que esperar cerca de três horas, pois somente naquele momento eles começaram a atender o pessoal que chegou às 11 horas'', indignou-se. Esta situação ocorreu por volta de 14 horas.
A maior reclamação das pessoas que procuram o PAM é que o atendimento pode demorar muito se houver muitos casos de emergência, que passam na frente de todos. ''Os que ficam esperando é porque não precisam de um pronto atendimento. O que é avaliado pelas enfermeiras'', explicou a gerente. Vera garantiu que hoje já teria um novo médico contratado. O local também está com o Raio X quebrado desde dezembro de 2004. ''Eles já fizeram a licitação, mas ninguém da empresa veio consertar até agora'', disse a gerente. Cerca de 250 pessoas são atendidas diariamente no PAM.
O secretário municipal de Saúde, Sílvio Fernandes, disse que já autorizou a contratação de novos médicos para o PAM em regime de urgência. Ele afirmou que faria parcerias para não precisar que o profissional passasse por concurso público. Quanto a falta de médicos nas UBS, o secretário afirmou que recentemente foram contratados 11 profissionais e que o quadro estava completo. Ele não soube explicar o que teria acontecido com a unidade da Vila Casoni.

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