Demora da Justiça revolta a família de rapaz assassinado
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quarta-feira, 07 de maio de 1997
Lúcio Horta 
A família de Cristian Moretto, morto há quase um mês, aos 19 anos, vítima de ferimentos provocados por arma de fogo, está revoltada com a morosidade da Justiça. O crime aconteceu em julho do ano passado, na vila Siam (zona leste): Cristian foi atingido nas costas por um tiro e, antes de morrer, ficou cinco meses internado no hospital (três deles na UTI, em estado de coma) e outros três meses entre a própria casa e o hospital.
Apesar de todo esse tempo, o inquérito que apura o caso não foi concluído. Durante as investigações houve troca de delegados, sumiço de autos e demora na conclusão de laudos. Ainda hoje faltam dois exames: o laudo de necrópsia, de Cristian, e exame complementar de lesões corporais, em Charles Roger da Silva, amigo da vítima e que, apesar de levar um tiro na boca, sobreviveu ao mesmo atentado.
O caso é de urgência e as autoridades agem com descaso. São duas as hipóteses: ou é incompetência do IML ou estão querendo proteger os assassinos, revolta-se a mãe de Cristian, Nadir Medeiros Pereira.
O chefe do IML em Londrina, Ademar Consalter, informou que houve atraso na entrega do laudo de necrópsia porque a funcionária que deveria digitar o laudo não entendeu a letra do médico legista. Mas o problema, segundo ele, já foi resolvido: o laudo deve ser entregue ao delegado ainda hoje. O médico estava comprometido a assinar o laudo. Acredito que ele tenha assinado hoje (ontem).
Já sobre o laudo de exame complementar de Charles Silva, o diretor do IML não soube informar se o exame foi feito ou não. Aí depende: a pessoa é avisada e, se ela não vem, aí é o delegado que deve requisitar e até ir atrás da vítima para levá-la ao IML.
O delegado responsável pelo inquérito, Antônio de Oliva Zuba, do 2º DP, disse no entanto que o exame já foi requisitado há pelo menos dois meses e o atraso é do IML. A lei diz que o laudo deve ser feito em até no máximo 10 dias, lembra o delegado. Assim que os laudos estiverem em suas mãos, garante, o inquérito será concluído e enviado ao Fórum.
Zuba também descartou um pedido de prisão provisória contra os assassinos de Cristian. Segundo ele, Joel e Rubens Mendes de Queiroz não estão atrapalhando o andamento do processo, não se envolveram em outros crimes, têm empregos e residências fixos.


