Demora da Justiça provoca protesto
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sábado, 19 de outubro de 2002
Carolina Avansini<br> Reportagem Local 
Vinte entidades de Londrina se reuniram ontem no Calçadão para protestar contra a demora da Justiça em resolver casos de mulheres assassinadas na cidade. Uma das histórias lembradas foi a da professora de música Maria Estela Pacheco, que há dois anos teve seu corpo jogado do alto de um edifício. O principal suspeito, Mauro Janene Costa, ainda não foi julgado. As primeiras testemunhas começaram a ser ouvidas apenas na semana passada.
Segundo a organização do movimento, a manifestação tem o objetivo de chamar a atenção da população para a injustiça que impera nessas situações. ''O caso Estela simboliza a impunidade presente nesses casos'', explicou Cássia Maria Carloto, presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Londrina.
''Isso é fruto da cultura machista. Os homens se sentem donos das mulheres e não querem ver seu objeto de posse se manifestar. Para intimidá-las, um recurso extremo é o uso da violência física, que muitas vezes acaba em morte'', acrescentou. Ela afirmou ainda que nos assassinatos de mulheres, a injustiça é a regra. ''Há uma grande cumplicidade da Justiça para que os homens continuem impunes'', criticou.
A maioria das pessoas que passava pelo Calçadão ontem se lembrava do caso Estela e fazia questão de assinar um abaixo-assinado que será encaminhado para a Justiça. A professora Luciana Peixoto considerou que a demora no julgamento dos assassinatos ''é uma injustiça''. ''É preciso continuar cobrando uma solução. Não podemos deixar as pessoas se esquecerem'', opinou.
O movimento lembrou também os assassinatos de Fernanda Struzzani, morta a facadas pelo ex-marido em 1989; e da empregada doméstica Cleonice de Fátima Rosa, degolada há 10 anos no apartamento onde trabalhava. Os dois casos continuam sem solução.


