O sorriso sem dentes do desempregado Tanor Ferreira Dias, morador da invasão Nossa Senhora Aparecida, na Zona Norte de Londrina, retrata uma triste realidade do País segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mais de 20% da população nunca visitaram um consultório de odontologia e apenas 6% dos brasileiros o fazem com regularidade. O sorriso também denuncia a realidade de Londrina: a deficiência no atendimento odontológico para a população adulta, apesar do programa de saúde bucal implantado há pouco mais de um ano na rede municipal de saúde.
Para Dias, ''não compensa'' passar a noite na fila do posto de saúde para tentar conseguir uma senha e só então marcar uma consulta para dali a dois meses. ''Você tem que levantar à uma hora da manhã para ficar na fila e pegar a senha às 7h30, 8 horas, para depois ainda esperar dois meses. Não compensa levantar de madrugada com duas crianças em casa'', justificou, se referindo às filhas Tainara, de cinco anos, e Tamires, de 1 ano e cinco meses. Com 37 anos, sem quatro dentes, e sem nunca ter ido ao dentista, Dias sofre principalmente para conseguir um emprego: ''Eu tenho curso de cozinheiro e garçom profissional, poderia trabalhar nessa área, mas sem os dentes da frente você não consegue serviço'', lamenta.
Com uma consulta marcada só para agosto, o presidente da Associação de Moradores do Jardim São Jorge (Zona Norte), Augusto Corrér, de 43 anos, conta que teve que recorrer a um alicate, na última semana, para arrancar o dente inflamado. ''Estava doendo muito, e eu não aguentei. Tirar o dente assim é horrível, você quase desmaia, mas você vai no posto e eles marcam (a consulta) só para dali 40, 60 dias'', reclamou.
Sem poder pagar um atendimento odontológico particular, a desempregada Rosimeire Araújo, de 34 anos, também moradora da invasão Nossa Senhora da Paz, disse que já desistiu de arrumar os dentes. ''É muito caro. Não vou arrumar mais não, vou esperar estragar tudo e pôr dentadura'', afirmou.
O gerente de odontologia da secretaria de Saúde, Domingos Alvanhan, afirmou que ''tem consciência que o serviço não é suficiente para atender a demanda, mas ele está em gradativa expansão''. Alvanhan informou que três mil adultos são atendidos por mês no programa de Saúde Bucal, integrado a 10 equipes do Programa Saúde da Família (PSF), e que até o final de agosto mais oito equipes também estarão atendendo. Quanto à fila de espera, Alvanhan afirmou que o agendamento é feito ''de acordo com a prioridade de atendimento''.

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