A alternativa que está em discussão na Câmara Municipal de remoção das 40 famílias e extinção da rua Pantanal, no Jardim Santiago (Zona Oeste), é mais um capítulo que se soma à série de outras demolições promovidas pelo Poder Executivo nos últimos anos que visaram atender também reclamações da comunidade para contenção da criminalidade em pontos específicos de Londrina. Exemplos dessa filosofia de atuação são variados.
Quando no ano passado surgiram reclamações em torno do problema grave que havia se tornado uma área pública ao lado do Pronto-Atendimento Municipal (PAM), no centro, ocupada por jovens moradores de rua e usuários de drogas, a atitude foi cortar a árvore que servia como ponto de encontro dessa população. Os ocupantes do lugar se transferiram para um antigo quiosque de carroceiros e, outra vez, a tática utilizada foi a demolição. Só que o mesmo pessoal continua ocupando a área e resistindo às frequentes incursões da Polícia e às abordagens dos programas de assistência da Prefeitura.
Com o coreto que ficava no Calçadão (área central) ocorreu coisa semelhante. Comerciantes e moradores da região reclamaram que um dos cartões-postais da cidade havia se transformado em ''mocó'' e a solução veio com a demolição, realizada no ano passado. O banheiro público do Zerão também foi derrubado recentemente porque estava sendo utilizado como ponto de consumo de drogas por adolescentes.
O presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul), Luiz Figueira de Mello, se posicionou particularmente contrário ao recurso das demolições para conter atos de vandalismo e criminilidade. ''Pessoalmente, não concordo com isso. Teríamos que fazer um trabalho de conservação e preservação do patrimônio da cidade. Se não cuidamos e conservamos os equipamentos, acabamos estimulando as depredações'', comentou Mello.
Por outro lado, o presidente do Ippul ponderou que em algumas situações as demolições devem acontecer. Ele adiantou que os banheiros públicos ao longo do Calçadão, que estão em péssimas condições de uso, deverão ser derrubados e os sanitários serão concentrados todos na Praça Floriano Peixoto, ao lado da Catedral Metropolitana. ''Tudo será feito com um padrão de shopping center, para servir de apoio aos frequentadores do centro'', prometeu, lembrando que a obra faz parte do projeto de revitalização de todo o centro da cidade, que inclui também a área ao lado do PAM. No local será construída uma praça que, provovalmente, será destinada a projetos de educação ambiental.
A assessoria do prefeito Nedson Micheleti explicou que as intervenções realizadas na área central aconteceram em virtude de solicitações de moradores e comerciantes. Sobre a desapropriação da rua Pantanal, a assessoria lembrou que a questão está sendo discutida no Legislativo e que o prefeito já se colocou à disposição para ouvir os moradores depois que houver uma definição por parte da Câmara.

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