A demolição de mais um quiosque no Centro de Londrina por agentes da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), na manhã de ontem, causou tumulto no Calçadão. Sem saber que o imóvel seria demolido, o proprietário Edno Moreira, que há 12 anos mantém a lanchonete ''Chopão do Baiano'' no local, foi avisado de que o estabelecimento estava sendo derrubado por funcionários da empresa de alarmes que ele contratava.
Proprietários de outros quiosques foram até o local e ameaçaram bloquear a saída dos caminhões carregados com as mercadorias e móveis do estabelecimento, mas acabaram liberando a passagem. O advogado do comerciante, Jackson Romeu, afirmou que os agentes praticaram um arrombamento sem autorização judicial e classificou a medida como ''arbitrária''.
''Não há mandado de reintegração de posse ou qualquer documento por escrito que autorize o arrombamento'', afirmou. ''A notificação era para cessação da atividade e não para o arrombamento do quiosque.''
Ele e a advogada da CMTU, Cristel Bareti, chegaram a bater boca em frente ao quiosque, por causa do impasse. Nenhum dos representantes da prefeitura que estavam no local quiseram dar entrevistas.
Pego de surpresa pela ação da companhia, Moreira afirmou que não esperava a demolição. ''Eles chegaram sem avisar ninguém, sem qualquer ordem judicial. Foi uma covardia'', criticou ele, que assim como outros comerciantes que mantém quiosques no Centro, foi notificado a desocupar o local num prazo de 30 dias. ''Entrei com recurso questionando essa notificação. A CMTU não podia ter feito isso'', afirmou.
Alheio aos argumentos da prefeitura e do advogado, o cozinheiro Oswaldo Machado chegou ao Chopão para trabalhar e constatou que havia ficado desempregado. ''Estava aqui há sete anos, não sei o que fazer'', disse o trabalhador, que teme pelo futuro da filha e da neta que dependem do salário recebido na lanchonete.
O presidente da Companhia Municipal, André Nadai, afirmou que a ação é legal. ''Ilegal é ocupar um espaço público sem autorização'', disse. Ele ressaltou que os comerciantes que trabalham nos quiosques foram notifcados a desocupar os imóveis e receberam um prazo de 30 dias para saírem espontaneamente. ''Alguns deles protocolaram pedidos para aumentar o prazo, mas todos serão desocupados até o final de junho.''
A demolição dos quiosques faz parte do plano de revitalização da Área Central. Quatro dos 36 imóveis já foram derrubados pela prefeitura. O Executivo pretende abrir uma licitação para ocupação dos quiosques.

mockup