A idéia de se construir um novo templo para a Paróquia Nossa Senhora de Fátima, em Nova Cantu (130 km ao sul de Campo Mourão) está dividindo os 9 mil moradores do município. O problema é a demolição da igreja atual, construída em 1962. Trata-se do único templo católico em madeira ainda existente na região.
O padre João Batista, 36, que está há apenas um ano e meio em Nova Cantu, é um dos maiores defensores da demolição. ‘‘Nossa igreja está apodrecendo’’, diz. Ele conta que as imagens de santos do altar balançam quando o sino é tocado, apesar da torre estar do outro lado da paróquia. ‘‘Eu não bato este sino nem pagando’’, ressalta o padre.
O fator segurança é o principal argumento do tesoureiro da paróquia, o contador Emanuel Guerreiro de Paula, 51. ‘‘A igreja está velha. É perigoso apodrecer e cair alguma coisa’’, explica. Uma campanha realizada na cidade, através de festas e bingos, já arrecadou R$ 72 mil para a construção de uma nova igreja. Ele calcula que um novo templo vá custar R$ 500 mil.
‘‘Quem se envolve com os assuntos da igreja é favorável à demolição’’, frisa o presidente da comissão formada para angariar recursos para a futura obra, Delmir Jorge Andreolla, 37. Ele admite a possibilidade de se realizar um plebiscito para discutir o caso, mas diz que são poucos os contrários à demolição. ‘‘Não passa de 1%.’’
Nas ruas de Nova Cantu não é difícil encontrar moradores contra a demolição. ‘‘Nossa igreja é uma obra de arte’’, diz o advogado Divonsir Graf, 63. ‘‘Não existe uma coluna de sustentação em seu interior.’’ O agrônomo Hilário João Parisotto, 44, defende a restauração da paróquia. ‘‘Poderia-se buscar dinheiro até com alguma fundação’’, explica.
A polêmica já chegou ao prefeito Airton Agnolin (PDT). ‘‘Sou favorável à demolição, mas acho que poderíamos discutir melhor o assunto’’, disse. Agnolin também fala em plebiscito. ‘‘É a forma mais democrática.’’ Já o pioneiro Rosendo Lopes, 65, abomina a idéia da demolição da igreja. ‘‘Nem o bingo eu comprei para não ajudar na construção da igreja nova’’, destacou.
O agricultor Joni Almir Fontana, 37, alega que a igreja de Nova Cantu é única. ‘‘Isso não cai nunca. O padre vai embora e essa igreja fica’’, frisa. Para o padre João Batista, porém, as críticas à demolição são feitas por católicos ‘‘mal informados’’. ‘‘Posso até sair de Nova Cantu, mas quero deixar uma coisa boa para a comunidade.’’

mockup