Demolição de igreja divide Nova Cantu
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sábado, 04 de agosto de 2001
Sid Sauer<BR>Enviado a Nova Cantu 
A idéia de se construir um novo templo para a Paróquia Nossa Senhora de Fátima, em Nova Cantu (130 km ao sul de Campo Mourão) está dividindo os 9 mil moradores do município. O problema é a demolição da igreja atual, construída em 1962. Trata-se do único templo católico em madeira ainda existente na região.
O padre João Batista, 36, que está há apenas um ano e meio em Nova Cantu, é um dos maiores defensores da demolição. Nossa igreja está apodrecendo, diz. Ele conta que as imagens de santos do altar balançam quando o sino é tocado, apesar da torre estar do outro lado da paróquia. Eu não bato este sino nem pagando, ressalta o padre.
O fator segurança é o principal argumento do tesoureiro da paróquia, o contador Emanuel Guerreiro de Paula, 51. A igreja está velha. É perigoso apodrecer e cair alguma coisa, explica. Uma campanha realizada na cidade, através de festas e bingos, já arrecadou R$ 72 mil para a construção de uma nova igreja. Ele calcula que um novo templo vá custar R$ 500 mil.
Quem se envolve com os assuntos da igreja é favorável à demolição, frisa o presidente da comissão formada para angariar recursos para a futura obra, Delmir Jorge Andreolla, 37. Ele admite a possibilidade de se realizar um plebiscito para discutir o caso, mas diz que são poucos os contrários à demolição. Não passa de 1%.
Nas ruas de Nova Cantu não é difícil encontrar moradores contra a demolição. Nossa igreja é uma obra de arte, diz o advogado Divonsir Graf, 63. Não existe uma coluna de sustentação em seu interior. O agrônomo Hilário João Parisotto, 44, defende a restauração da paróquia. Poderia-se buscar dinheiro até com alguma fundação, explica.
A polêmica já chegou ao prefeito Airton Agnolin (PDT). Sou favorável à demolição, mas acho que poderíamos discutir melhor o assunto, disse. Agnolin também fala em plebiscito. É a forma mais democrática. Já o pioneiro Rosendo Lopes, 65, abomina a idéia da demolição da igreja. Nem o bingo eu comprei para não ajudar na construção da igreja nova, destacou.
O agricultor Joni Almir Fontana, 37, alega que a igreja de Nova Cantu é única. Isso não cai nunca. O padre vai embora e essa igreja fica, frisa. Para o padre João Batista, porém, as críticas à demolição são feitas por católicos mal informados. Posso até sair de Nova Cantu, mas quero deixar uma coisa boa para a comunidade.


