As barracas instaladas em praças e canteiros de Ivaiporã (110 km ao sul de Apucarana) estão sendo demolidas pela Prefeitura. A ação foi iniciada anteontem à tarde em clima de indignação da população, que presenciou a derrubada da lanchonete ''Ripa's'', que fica numa praça na avenida Souza Naves esquina com a rua Bandeirantes. Ontem à tarde os próprios barraqueiros começaram a demolir seus pontos de comércio, temendo mais ações violentas.

Uma pá carregadeira destruiu a lanchonete de Valdinei Katchnowsk, instalada há seis anos na praça. Segundo o vereador Ciro Fernandes Gouveia Júnior (PT), ''diante da violência com que a lanchonete foi demolida'', os outros sete barraqueiros que ocupam espaços públicos decidiram não resistir mais à desocupação.

Na tarde de terça-feira, de acordo com o vereador, o prefeito Pedro Papin (PTB) convocou a população pela rádio local para assistir ao ''espetáculo'': a derrubada da lanchonete ''Ripa's''. A população se revoltou e tentou impedir a ação atirando pedras e ficando em frente à pá carregadeira.

Segundo Ciro Fernandes, fiscais da prefeitura estiveram no local retirando equipamentos e pertences da lanchonete, mas mesmo assim houve prejuízos materiais. Temendo sofrer as mesmas perdas, outros barraqueiros decidiram a demolição de suas barracas ontem à tarde. Duas estavam sendo demolidas e uma terceira já estava sem água e sem luz.

Ciro Fernandes afirmou que a ''posse dos terrenos era ilegal porque o processo de concessão de uso ocorreu de forma irregular''. A prefeitura concedeu o uso dos terrenos a partir de 1993, sem seguir os trâmites exigidos em caso de área pública: autorização da Câmara Municipal e abertura de licitação.

Apesar da questão jurídica, o vereador alerta para o problema social. ''Essas pessoras sustentam suas famílias com o dinheiro que ganham nas suas barracas'', diz. Ciro Fernandes afirma que eles tentaram negociar a saída para depois do Carnaval.

A justificativa dos barraqueiros era de que no período de verão as vendas são melhores e, dessa forma, poderiam se planejar economicamente para alugar um outro estabelecimento. ''São pessoas humildes, não têm dinheiro guardado'', destaca o vereador Ciro Fernandes.

Segundo o chefe de gabinete da prefeitura, Carlos Andrade, desde fevereiro a administração estava tentando a desocupação dos espaços públicos, sem obter êxito. ''A prefeitura entrou com pedido judicial de devolução das praças e dos canteiros e os ambulantes impetraram mandado de segurança para continuar onde estavam'', explica Andrade. ''A prefeitura tentou negociar mas os barraqueiros não quiseram.''

Em 26 de setembro o juiz Elias Duarte Rezende julgou improcedente o mandado de segurança. ''A base jurídica do mandado era frágil, já que a posse é ilegal. Mas a decisão judicial não determinava a desocupação de forma violenta'', diz Ciro Fernandes. Até a Câmara, segundo o vereador, interviu para que a prefeitura buscasse uma solução amigável, mas não houve acordo.

mockup