Demitidos protestam no HU de Cascavel
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segunda-feira, 30 de julho de 2001
Gilmar Agassi De Cascavel 
Os 295 funcionários celetistas do Hospital Universitário de Cascavel que não passaram no concurso público realizado em abril e que deixarão suas funções a partir de amanhã, paralisaram as atividades e protestaram contra a decisão da Justiça do Trabalho, que determinou o não-pagamento dos direitos trabalhistas. Eles não poderão receber aviso prévio, Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, férias, 13º salário e horas extras.
Um dos líderes do movimento, Aparecido Marques, disse que apesar da paralisação, os trabalhos no hospital permanecem inalterados, pois os 333 aprovados no concurso já estão aptos a atender. Ele informou que os funcionários do Hemocentro, que também perderão seus empregos, continuam trabalhando. O pessoal também queria parar, mas pedimos que ficassem em seus postos para não prejudicar a população, afirmou.
Marques acrescentou que o Hemocentro deverá ter dificuldades a partir de amanhã, pois não existem substitutos para os funcionários que estarão saindo. A diretora Silvana Tomás disse que a situação é diferente porque ao contrário do Hospital Universitário, a Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) não está assumindo a administração do Hemocentro. Estamos negociando com esses 18 funcionários para que continuem trabalhando, talvez ligados à uma fundação, informou.
Segundo Aparecido Marques, os funcionários formaram uma comissão para buscar alternativas. Ontem de manhã, a comissão esteve no Fórum para conversar com promotores, mas não foram atendidos porque todos estão em férias. À tarde, o grupo se reuniu com vereadores, que prometeram dar apoio nas negociações junto ao governo do Estado.
A grande preocupação dos funcionários é resolver a questão antes de terminar o vínculo com o hospital, ou seja, até amanhã. Eles estão pedindo auxílio aos deputados estaduais da região, mas admitem buscar outros meios. Teremos que acionar a Justiça para conseguir receber nossos direitos, ressaltou o líder dos grevistas.
O secretário de Estado da Saúde, Armando Raggio, afirmou que a decisão da Justiça do Trabalho é irreversível, não cabendo qualquer tipo de negociação. Ele alegou que os funcionários deveriam ter sido informados pelo sindicato da categoria de que o contrato em vigência não tinha validade.
A diretora geral do HU, Lilimar Mori, disse que os funcionários foram contratos em 1996, por de um teste seletivo promovido pela Secretaria de Estado da Saúde. O contrato teria um ano de duração, com a possibilidade de renovação por mais um. Em 1998, quando a prorrogação estava proibida, foram feitos outros contratos por tempo indeterminado até a realização de um novo concurso, que aconteceu apenas em abril deste ano, explicou.
A direção do Sindisaúde se reuniu ontem em Curitiba com representantes da área de recursos humanos da Secretaria de Estado da Saúde, na tentativa de buscar um canal de negociação para que o governo reveja a decisão de demitir os funcionários do hospital de Cascavel. Mas a secretaria alegou que cabe à Procuradoria Geral do Estado decidir sobre o assunto. Representantes dos trabalhadores e do SindiSaúde terão audiência amanhã com o chefe da Casa Civil, Alceni Guerra, para discutir os direitos trabalhistas.


