Um grupo de ex-funcionários da prefeitura de Santa Mariana (16 km a leste de Cornélio Procópio), entre eles aposentados, professores, serviços gerais, auxiliares de enfermagem e garis, estiveram reunidos no Sindicato dos Servidores Municipais para reclamar de acertos que a prefeitura está devendo por conta de demissões.
É o caso de 74 pessoas que eram integrantes da Associação de Assistência de Santa Mariana, reponsável pelo hospital e por uma creche da cidade. Em fevereiro de 1997, logo após sua posse, o prefeito Antônio Carlos Bassi (PTB) declarou que a associação era ilegal e dispensou os funcionários. ‘‘Até hoje, ninguém recebeu nada. Não foi recolhido o RAIS, não temos como sacar o PIS e muito menos Fundo de Garantia’’, disse a professora, Rosimar Pereira Tobias, 32 anos.
Outro pessoal foi colocado em substituição aos dispensados. Os demitidos acreditam que seja jogo político. ‘‘Se a Associação era ilegal, por que continua funcionando até hoje com outro pessoal?’’, perguntou Maria Inês Pires Ladeira, 48 anos, que trabalhou no hospital durante quatro anos. A Associação foi criada em 1991.
Os aposentados que foram dispensados alegam que também não receberam nada e não obtêm respostas na prefeitura. ‘‘Não conseguimos tirar deles nem quanto temos para receber. Eles dizem que não têm tempo para calcular e desconversam’’, disse o aposentado José Henrique da Silva, 65 anos. Ele trabalhou 28 anos para a prefeitura e foi dispensado em 30 de dezembro.
A revolta é que nem todo o grupo de aposentados foi dispensado. ‘‘Alguns, não sei por quê, continuam lá. A lei serve para todos’’, disse o aposentado João Camanho, 67 anos e 18 de funcionalismo público. Outra queixa do grupo é que depois que foram dispensados, receberam ordens para gozar as férias atrasadas. ‘‘Já que fui mandado embora, não preciso gozar as férias’’, disse o motorista aposentado Haroldo Varoto, 56 anos, 14 de prefeitura.
A presidente do sindicato, Susiane Michelatto, disse que recebe reclamações diariamente. ‘‘Há um ano, os garis não recebem auxílio-salubridade. Não têm luvas, nem fardamento para trabalhar com o lixo. Temos um grupo de pelo menos 10 professoras que até hoje não assinaram contrato algum e recebem o salário em dinheiro. Nada comprova que elas estão trabalhando’’, informou. Segundo ela, o Sindicato já encaminhou requerimento de informações para o prefeito e até hoje não conseguiu nada. A via judicial não é tentada por falta de recursos. O sindicato conta com 105 filiados e arrecada 1% da renda de cada um, o que soma R$ 178,00 mensais.
O prefeito de Santa Mariana, Antônio carlos Bassi (PTB), afirmou que está agindo dentro da lei em todas as circunstâncias. ‘‘Uma emenda constitucional em dezembro nos obrigou a dispensar todos os aposentados. Mesmo que estimasse muito o serviço prestado por eles’’, disse. Segundo Bassi, existem três aposentados que continuam em atividade. ‘‘Eles se aposentaram antes da constituição de 1988. Em 1991, fizeram concursos público e tiveram estabilidade. Não estou protegendo ninguém’’, afirmou o prefeito. Ele garantiu ainda que o acerto dos aposentados vai sair. Está dependendo de uma posição da Caixa Econômica Federal.
Quanto ao acerto dos funcionários que integravam a Associação de Assistência, Bassi diz que tem que partir da própria Associação. ‘‘Não tinha nada haver com a prefeitura’’. Segundo Bassi, a Associação tinha um convênio de quatro anos. ‘‘O convênio acabou e achamos melhor que o hospital fosse tocado pela prefeitura, porque o hospital, na época, não tinha enfermeiro padrão, nem médicos. Os funcionários também não eram concursados’’, afirmou. Ele disse ainda que o caso está com o ministério público. ‘‘Até hoje, a Associação não prestou contas para a prefeitura’’.

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