Demissões prejudicam atendimento na Agência do Trabalhador
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 17 de abril de 2006
Marta Ortega<br>Reportagem Local 
A decisão da Secretaria Estado do Trabalho, Emprego e Promoção Social (SETP) de romper o contrato com uma empresa terceirizada, que fornecia agentes de seguro-desemprego, está prejudicando o atendimento na Agência do Trabalhador em Londrina, a exemplo do que já aconteceu em Ponta Grossa, na semana passada, onde o atendimento ao público foi suspenso. Na semana passada, três funcionários foram desligados do serviço em Londrina. Outros cinco cumprem aviso prévio e devem ser desligados a partir de 10 de maio.
Para o gerente da Agência do Trabalhador da Rua Guaporé (Centro), Mauro Viecili, a saída dos funcionários faz com que atendimento dos segurados seja mais lento. Ele calcula que 120 pessoas estão deixando de ser atendidas por dia, uma redução de 35%. Já estamos atendendo de forma precária com apenas cinco funcionários. Quando vencer o aviso prévio, vou ter que parar tudo porque não teremos estrutura.
Antes da determinação, que tem caráter irrevogável, a Agência do Trabalhador em Londrina fazia em média 730 atendimentos por dia, tanto de encaminhamento para emprego, como para o seguro-desemprego. Só de seguro-desemprego eram 200 atendimentos diários no guichê e outros 150 por telefone, onde os segurados solicitam informações. Se concretizar o desligamento de pessoal, a partir de 11 de maio não teremos mais atendimento nem por telefone.
Um comunicado enviado em 10 de abril pela secretaria anunciando os desligamentos orienta que os diretores das agências busquem contato com prefeituras, solicitando pessoal em caráter emergencial. Estamos em contato com a prefeitura, mas em Londrina não existe previsão no Orçamento de 2006 para atender essa determinação. Teremos que parar e quem vai sofrer com isso é o segurado.
A Delegacia Regional do Trabalho (DRT), que também atende pedidos para o seguro-desemprego, não terá condições de absorver o número de pessoas que buscam a Agência do Trabalhador, segundo a supervisora do setor, Patrícia Arruda Câmara. A DRT dá entrada num total de 1,3 mil pedidos para emissão de carteiras de trabalho e de seguro-desemprego por semana, atendendo Londrina e outras 84 cidades da região. Desse total, 60 pedidos por semana são de seguro-desemprego. Temos apenas três atendentes para fazer todo o trabalho.
A chefe regional da SETP, Suely Beggiato, informou que existe um convênio entre município e Estado para a instalação das Agências do Trabalhador. Pelo convênio, cabe ao Estado fornecer a estrutura física e ao município arcar com a mão-de-obra. O Estado vinha mantendo oito funcionários, contratados através de empresa terceirizada, mas os recursos repassadas pelo Ministério do Emprego e Trabalho foram reduzidos pela metade do ano passado para cá, e não há como renovar o contrato.
Segundo Suely, quatro funcionários mantidos pela prefeitura já atuam na Agência. Existem duas possibilidades: ou o município treina outros funcionários seus para trabalhar com seguro-desemprego ou assimila os que já trabalham nesta área na agência. (Colaborou Silvana Leão)


