Demissão de pessoal afeta milhares de alunos
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 02 de abril de 2008
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Milhares de alunos da rede estadual de educação de Londrina foram afetados pela dispensa de dezenas de funcionários temporários que haviam sido contratados através do processo de seleção simplicado (PSS). Os trabalhadores foram dispensados anteontem e atuavam na na cozinha e na limpeza. Por isso,
muitas escolas estão oferecendo merendas pobres ou, pior, nem oferecem; e ficam com corredores e banheiros sujos. Às escolas, o Núcleo Regional de Educação não deu prazo para resolver o problema.
Na Zona Sul, a FOLHA esteve em duas instituições de ensino que atendem crianças oriundas de comunidades pobres e muitas delas fazem suas refeições mais importantes na escola. No Colégio Estadual Rina Francovig, localizado no Jardim Campos Elíseos, e que atende mais de 900 alunos, a diretora Helena Oguido teve que dispensar na tarde de anteontem seis dos nove funcionários que cumpriam funções de zeladoria e na cozinha.
Resultado: no período noturno, os estudantes não estão recebendo merenda. Nos turnos da manhã e tarde, cada aluno recebeu ontem uma única barra de cereal, distribuída por funcionários da secretaria. ''Isso é ruim porque além de muitos fazerem suas refeições na escola ainda temos o contraturno de reforço e essas crianças precisam almoçar também''.
A situação de panelas vazias contrastava com a despensa repleta de alimentos. Por sorte, o Colégio Rina Francovig faz um bom trabalho de conscientização entre os estudantes com relação à destinação correta do lixo e o pátio ontem não estava sujo.
A poucos quilômetros dali, no Conjunto Jamile Dequech, os mais de 500 alunos do Colégio Estadual Carlos Augusto Mungo Genez também foram atingidos pela dispensa do pessoal contratado via PSS, que já supria a falta de servidores. Dos três funcionários, apenas um permaneceu.
A sobrecarga de trabalho teve que ser absorvida por outros servidores. A merendeira da manhã, por exemplo, teve que ficar no período da tarde para fazer o lanche - chá com bolacha - para os alunos da tarde. Enquanto isso, ela também já preparava o arroz que deveria ser servida para os alunos do turno da noite. As zeladoras da manhã também fizeram ''hora extra'' nos dois últimos dias para deixar o prédio em condições de uso para os estudantes dos demais períodos.
A FOLHA entrou em contato com o Núcleo Regional de Educação (NRE) ontem à tarde, mas não obteve retorno até o fechamento da edição.


