Demissão coletiva reflete crise no IML
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terça-feira, 12 de dezembro de 2000
Célia Guerra e Lúcio Flávio Moura De Londrina 
O pedido de demissão coletiva de oito peritos pode obrigar o Instituto Médico-Legal de Londrina a suspender a realização de exames de lesões corporais, as autópsias durante a noite e nos finais de semana. Ontem, três médicos comissionados Carlos Gonçalves, Luis Carlos Bazzo e Ângelo Franco á pediram desligamento do órgão.
Eles justificaram a atitude alegando perspectiva de sobrecarga de tarefas com a saída voluntária de cinco médicos, que ainda aguardavam nomeação e que nunca receberam sálarios. Desesperançado com o não cumprimento de promessas da Secretaria Estadual de Segurança Pública, o grupo dos não nomeados tomou a decisão na sexta-feira.
Além do atraso no pagamento, eles estão protestando contra os baixos salários. Enquanto os legistas concursados recebem cerca de R$ 1,8 mil mensais, os comissionados recebem R$ 676,00.
Segundo o chefe do IML de Londrina, Antônio Carlos Queiroz, é a crise mais grave que o órgão vive desde que assumiu a função, há três anos e meio. Vamos tentar negociar a permanência provisória dos peritos que já foram nomeados por pelo menos uma semana. Se não conseguirmos, os serviços do IML serão sensivelmente prejudicados. Na noite de ontem, uma reunião entre Queiroz e os peritos demissionários tratariam deste assunto.
O diretor-geral do IML do Paraná, Wagner Luís do Nascimento, esteve ontem na cidade para anunciar a compra de dois aparelhos um cromatógrafo a gás e um radioimunoensaio, avaliados em R$ 60 mil para o Laboratório de Toxicologia do IML. Nascimento disse não ter autoridade para resolver o problema, mas que repassaria a questão para a Secretaria de Segurança.
A aquisição, no entanto, não mudará tão cedo a realidade de aparelhos obsoletos do laboratório. De acordo com estimativa do próprio chefe local do IML, a expectativa é que estes equipamentos sejam instalados apenas no segundo semestre de 2001. Até lá, como medida paliativa, equipamentos disponibilizados pelo IML de Curitiba serão reaproveitados. São aparelhos de aproximadamente 10 anos de uso.
Fontes da polícia disseram que o clima é de insatisfação entre os legistas do interior do Estado. Enquanto em Londrina restou apenas os três legistas concursados incluindo o médico-chefe, Curitiba conta com cerca de 50 legistas.
Ainda no anúncio feito ao Conselho Comunitário de Segurança, Nascimento informou que o IML de Londrina deve receber ainda parte do material necessário para o funcionamento do necrotério. Ele informou que uma licitação será feita hoje em Curitiba e o processo inclui geladeiras e serras.
O instituto, segundo Nascimento, recebeu uma verba de R$ 870 mil do Plano Nacional de Segurança, que é insuficiente diante das necessidades, mas permitirão atender a demanda mais urgente.


