Santa Amélia Os guaranis nhandevas da Reserva Laranjinha, no município de Santa Amélia (63 km ao sul de Cornélio Procópio), estão próximos de realizar um sonho de décadas: recuperar uma área de 4,5 mil hectares de terra fértil e com água abundante em Abatiá, onde viveram os ancestrais da etnia. O local é chamado pelos índios de ''Posto Velho''.
O departamento jurídico da Fundação Nacional do Índio (Funai) deve emitir nos próximos 30 dias um parecer favorável ao relatório antropológico concluído em 2003 por uma equipe do órgão. Vencida mais esta barreira (a primeira foi o parecer do departamento de identificação e delimitação), o relatório será enviado ao ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos.
Com a assinatura do ministro, o governo federal baixa uma portaria criando a nova reserva. ''Há grande chances deste processo ser finalizado ainda este ano'', informou o administrador executivo regional da Funai em Londrina, José Gonçalves, sob sorrisos de satisfação de líderes da aldeia, incluindo o cacique Mário Raulino Sampaio, 47 anos, que estiveram na manhã de ontem na sede do órgão em Londrina. ''Nosso papel neste momento é tentar tornar este trâmite mais ágil'', afirmou Gonçalves
Segundo o administrador, o Departamento Fundiário da Funai dispõe de recursos para a desapropriação e para indenizar as benfeitorias feitas pelos atuais proprietários rurais. ''O governo federal está preocupado com algumas reservas do Centro-Sul do Brasil que estão apresentando superpopulação e falta de espaço. Há vontade política de se fazer novas demarcações para resolver o problema.''
O otimismo dos índios aumentou com a entrega da ata da reunião que ocorreu na aldeia anteontem, quando houve uma manifestação de quase toda a comunidade do Laranjinha. A ata será entregue em Brasília como mais um instrumento de pressão para que a demarcação seja oficializada.
Os índios também ficaram satisfeitos com a informação de que a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) enviará cestas básicas a serem distribuídas nos próximos 3 meses.
A Folha tentou contato com a assessoria da presidência da Funai ontem mas as atividades do órgão estavam paralisadas com o megaprotesto do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

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