O aumento expressivo da religião evangélica não é acaso. Segundo os professores Fabio Lanza e Cláudia Neves da Silva, pesquisadores do Laboratório de Estudos sobre as Religiões e Religiosidades, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), docentes do departamento de Ciências Sociais e Serviço Social, respectivamente, o crescimento reflete a existência de uma demanda religiosa motivada pelo contexto socioeconômico brasileiro.
''Quando pensamos numa economia que precarizou as relações de trabalho, que estimulou a informalidade, falando sempre que o indivíduo tem que ser empreendedor e superar os problemas sociais, as demandas religiosas estão colocadas. Nesse contexto, surgem então as igrejas, denominações que respondem com teologias a essa demanda socioeconômica. Por isso, não podemos dizer que existe denominação boa ou ruim'', ressalta Lanza.
De acordo com Cláudia, as novas denominações evangélicas surgiram em períodos de crescimento econômico e não social. ''O advento das igrejas pentecostais vem a reboque da industrialização brasileira e com o consequente aumento da classe operária. Mas isso não trouxe uma qualidade de vida. Pelo contrário. Na década de 1970, com o milagre econômico, há novo surto industrial e o aparecimento das neopentecostais.''
As últimas, especificamente, são consideradas pela pesquisadora como ramificações baseadas nos bens de salvação. ''Existe uma demanda real, um público para essas igrejas com foco na teologia da prosperidade, que é questão da barganha, da troca'', completa, reiterando que isso repercutiu também entre as evangélicas tradicionais, pentecostais e até na católica. Segundo Lanza, é preciso pontuar ainda que o catolicismo se manteve como maioria, embora tenha havido crescimento de outras religiões no mesmo período, como umbanda, ritos africanizados e cultos orientais. (M.T.)

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