Apesar de nenhum motorista paranaense ter sido condenado por envolvimento em algum acidente de trânsito, nos últimos 12 meses - período de aplicação do novo Código de Trânsito Brasileiro - muitos inquéritos foram abertos na Justiça para punir os infratores. Só em Curitiba, a Delegacia de Delitos de Trânsito instaurou 500 processos desde janeiro do ano passado. Além desses casos, que por causa da gravidade foram encaminhados à Justiça comum, a delegacia registrou entre 300 e 400 delitos leves que ficaram sob a responsabilidade do Juizado de Pequenas Causas, onde o caso é julgado em uma única audiência.
No Paraná, Wladimir Poli poderá ser um dos primeiros motoristas a serem julgados por ter matado alguém em um acidente de trânsito. Em maio do ano passado, ao desrespeitar vários sinais vermelhos em sequência, Poli bateu sua S-10 contra um Gol, na esquina da Rua Brigadeiro Franco com Sete de Setembro, no centro de Curitiba. No acidente, morreram o motorista do Gol, o filho dele. A mulher acabou sobrevivendo. O processo está na primeira fase, mas o delegado Artem Dach, da Delegacia de Delitos de Trânsito espera que ele seja levado a júri popular por crime doloso contra a vida.
Luiz Arthur Montes Ribeiro, especialista em Educação de Trânsito, acredita que a impunidade na área se deve ao próprio código, que não prevê reclusão, mas sim detenção dos motoristas infratores. Nesse caso, o envolvido pode responder ao crime em liberdade, até que seja julgado.
Para Ribeiro, a prisão imediata dos motoristas que provocam acidentes exigiria uma reformulação do sistema carcerário no Brasil. ‘‘Temos um sistema precário que não ofereceria segurança ao detento’’, diz.
O delegado Dach acredita que o código de trânsito é avançado demais para a cultura do povo brasileiro. Mesmo assim, ele diz que, em um ano, a nova lei conseguiu reduzir em 20% o número de mortes nos acidentes registrados em Curitiba.Mauro FrassonMulher atravessa fora da faixa: pedestres também são acusados de cumprir as leis de trânsito
Adriana Ribeiro

mockup