A coordenadora do Projeto Murialdo, Jaqueline Micali, que atende adolescentes que cumprem medidas de liberdade assistida ou de prestação de serviços à comunidade em Londrina, avalia que a delinquência juvenil se acentua na mesma medida em que o Estado se omite de suas obrigações. Ela afirma que enquanto o foco estiver no indivíduo e não na conjuntura social, a ''fábrica'' de adolescentes infratores vai continuar produzindo a todo vapor.
Jaqueline opina que o embrutecimento dos jovens é resultado da violência que ele sofreu antes. Ela adverte que enquanto não houver políticas sérias para diminuir as desigualdades, que garantam o acesso à educação de qualidade, à saúde, à moradia, de segurança pública, os adolescentes continuarão se voltando contra a própria sociedade. ''O adolescente infrator desrespeita o direito do outro porque não sabe o que é direito e o ato infracional é a maneira alienada que ele tem de questionar'', ressalta.
E este adolescente acaba encontrando no tráfico o que o Estado não dá conta de oferecer, mesmo sabendo que sua vida pode ser abreviada precocemente. ''Eles dizem que antes ser rei por um dia do que ser um Zé Mané a vida inteira. O tráfico dá dinheiro, poder e respeito'', assinala a especialista. Jaqueline diz que hoje, com o bombardeio de informações de consumo, todo adolescente não quer só comida no prato. ''Eles querem também o tênis de marca, o celular.'' Veem até o uso de drogas como consumo e não como dependência. (L.A.)

mockup