Deliberador confirma visita a preso do Centro de Detenção
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sexta-feira, 07 de setembro de 2007
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Em rápida conversa com a FOLHA, o tenente-coronel Luiz Carlos Menezes Deliberador, afastado do cargo de comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar na última quinta-feira, revelou que pensa continuar por mais algum tempo na corporação. Ele perdeu o cargo porque foi visitar o advogado José Ricardo Pinto, acusado pela Promotoria de Investigações Criminais (PIC) de envolvimento com o ''jogo do bicho'' e com o esquema de caça-níqueis, que está preso no Centro de Detenção e Ressocialização (CDR). Em uma nota oficial, divulgada ontem, ele confirmou o encontro mas argumentou que estaria apenas acompanhando o irmão advogado, Garibaldi Menezes Deliberador, que também é acusado no mesmo processo. O Comando Maior da Polícia Militar do Paraná informou que vai investigar a conduta do oficial.
Deliberador argumentou que ainda estava ''sem vontade de falar''. Na segunda-feira, ele passará o comando do 5º Batalhão para o major César Vinícius Kogut. O oficial comentou que não pensa encerrar a carreira policial. ''Tenho 30 anos de polícia e pretendo continuar mais um pouco, se eles não me deixarem muito tempo encostado'', afirmou o ex-comandante. Ele confirmou que esteve realmente no CDR, no dia 1º deste mês. Mas alegou que estaria acompanhando o irmão e um outro colega advogado. ''Estive lá com o meu irmão e não acho que foi tão... Fui só acompanhar o meu irmão, que é advogado, e que foi visitar outro advogado que está preso, só isso'', declarou.
Em nota, Deliberador reafirmou que a visita durou 15 minutos e que foi acompanhada pela direção do CDR. Ele lembrou que o irmão é amigo do advogado preso desde 1981, quando ambos cursavam faculdade, e sugeriu que ele teria sido denunciado ''talvez por causa da profissão''. ''Garibaldi, sem sombra de nenhuma dúvida, é uma pessoa integra, honrada, de moral ilibada, sempre mantendo-se e a sua família à custa da profissão como advogado'', destacou.
Deliberador afirmou que sai ''com a fronte elevada e o espírito acobertado pela força do bem''. ''Com esta punição, contra a qual não me oponho de forma jurídica, deixo de cumprir o que era o meu maior desejo como policial: dar tudo que minha vida permitisse em favor do povo desta nossa cidade e termino agradecendo a todos que nos auxiliaram na tarefa iniciada, a começar pelos bravos companheiros do quartel, oficiais e praças, políticos, dirigentes de órgãos públicos e privados, todos os moradores, a grande imprensa da cidade que nos dignificou, amigos e familiares.''
Além de deixar o cargo de comandante do batalhão de Londrina, o tenente-coronel terá de dar explicações ao Comando Maior da Polícia Militar, que instaurou procedimento de investigação para apurar a conduta de Deliberador. Além do advogado preso e de Garibaldi, outras sete pessoas suspeitas de envolvimento no esquema foram denunciadas pela PIC.


