Se depender das reivindicações dos policiais civis de Londrina, a interiorização dos serviços da Secretaria de Segurança Pública do Paraná vai precisar de muito mais que estatísticas e visitas oficiais para reverter a escalada de criminalidade pela qual passa o município. Só até este mês, já foram 175 homicídios, contra os 161 registrados em todo o ano passado. Dois, só na madrugada de ontem.
Na tentativa de implantar e fazer valer o recém-criado Plano de Segurança para Londrina, aconteceu ontem a visita de dois assessores do secretário Luiz Fernando Delazari, os delegados Cláudio Telles e Gilson Garret Algauer, aos distritos interditados pela Justiça que estão em reformas e ao Núcleo da Escola Superior da Polícia Civil, em Ibiporã, cuja inauguração está marcada para o próximo dia 14, às 16 horas. Acompanhados do delegado-chefe da 10 Subdivisão da Polícia Civil (SDP), Jurandir Gonçalves André, e do presidente do Conselho Comunitário de Segurança, Alvino Filho, os assessores justificaram o aumento de assassinatos com o argumento de que essa não é uma situação exclusiva de cidade, mas do País como um todo.
''A criminalidade londrinense acompanha a brasileira. Vivo em Curitiba, então tenho a visão da realidade de lá. Na Secretaria, a visão é global'', comentou Telles. De acordo com ele, o problema da superlotação carcerária em Londrina que inclusive exigiu a transferência de detentos para a região Metropolitana de Curitiba deve ser ''equacionada'' com as reformas que estão sendo providenciadas a mando do Departamento Estadual de Construção, Obras e Manutenção (Decom). Contudo, ele avisa, não serão estabelecidos prazos para o término.
Assessor civil de Delazari e delegado-chefe da Polícia Civil de Londrina de 2000 a 2002, Garret admite que o aumento do efetivo policial principal reivindicação da categoria nas visitas de ontem não basta para barrar o crescimento das estatísticas negativas. ''Os pedidos são justos, mas precisamos também da implantação de muitos outros planos e projetos'', reconheceu. Questionado sobre a forma como via a questão da violência em Londrina há três anos e agora, Garret destacou um ponto positivo: ''Temos um índice bem maior de esclarecimentos dos homicídios, além de mais delegados'', disse. ''As polícias Civil e Militar também estão bem mais integradas, o que é ótimo'', completou.
Para o presidente do Conselho Comunitário de Segurança, não basta reformar os distritos se não for resolvida a questão dos presos que aguardam julgamento com uma medida mais efetiva. A medida, nesse caso, tem nome. ''Precisamos logo do Centro de Detenção Provisória. O que está sendo feito até agora é paliativo, quando deveria ter sido feito, antes, todo um trabalho de prevenção'', declara. Segundo ele, esse trabalho se apoiaria essencialmente nos jovens de periferia, onde a violência é mais alarmante. ''Mas a comunidade não pode esperar tudo do Estado, ela tem que denunciar e participar sempre que preciso'', recomendou.

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