Mário CésarDefeitosO delegado Edson Casagrande, do 5º Distrito: ‘Terminou uma reforma e já estamos precisando de outra’A decisão do comando da Polícia Militar de Londrina - que deixou de ajudar na guarda dos distritos policiais - causou preocupação entre os delegados dos quatro DPs que mantêm presos na Cidade. Até o começo da semana, de segunda a sexta-feira, a PM mantinha um policial das 19 às 7 horas nos distritos, dividindo a segurança com um policial civil. Nos finais de semana e feriados, a guarda era contínua (24 horas). A situação precária dos distritos, a superlotação e as constantes fugas (ou tentativas) motivaram o acordo entre as duas polícias, há cerca de dois meses.
Ontem, no entanto, já não houve a ajuda da PM e apenas um policial civil, em cada distrito, fazia o plantão durante a madrugada. A justificativa do comando foi de que a guarda estava condicionada à conclusão das reformas nos distritos. O comandante do 5º Batalhão alega que ‘‘a obrigação da PM é com a segurança das ruas’’.
Mas a tranquilidade nos distritos não ficou tão assegurada assim com o fim das reformas. A situação mais preocupante é a do 5º DP, onde uma rebelião destruiu toda a área carcerária do distrito, há mais de dois meses. Depois disso, nem tudo foi consertado. ‘‘Terminou uma reforma e já estamos precisando de outra’’, aponta o delegado Edson Casagrande. Ele diz que, segundo informações do próprio Departamento Estadual de Construção, Obras e Manutenção (Decom), a verba que estava destinada para reformar o próprio 5º DP acabou servindo também para a reforma do 3º.
Os problemas do 5º distrito começam pela carceragem: três das seis celas estão sem grades - arrebentadas na rebelião, elas não foram repostas. Em uma das celas, as telas de ventilação, que dão para um corredor externo, também foram arrancadas, facilitando a entrada de armas como facas e revólveres. Além disso, aponta Casagrande, um dos muros levantados na reforma para dificultar as fugas está ‘‘desgarrando’’ da parede e pode cair. ‘‘O muro foi mal feito, não tem amarração.’’
Edson Casagrande conta que já comunicou o Decom e também o juiz da Vara de Execuções Penais sobre o problema, mas até agora nenhuma solução foi tomada. E, com o fim da guarda da PM, a situação se torna ainda mais crítica. ‘‘É lamentável a atitude do comando, mas infelizmente são polícias distintas. Que isso vai nos trazer uma certa insegurança dentro do serviço, não nos resta dúvida. Imagine uma cadeia quebrada e com um guarda só.’’
O delegado considera ainda que uma só pessoa cuidando do distrito é insuficiente, mesmo se o prédio estiver nas melhores condições físicas. Um exemplo: quando há tentativa de resgate de presos, se o único policial que estiver de plantão for dominado, não há como pedir reforço. No caso de dois policiais, no entanto, é possível que um faça a verificação de qualquer movimento estranho fora do distrito, enquanto o outro fica na retaguarda.
‘‘Do jeito que estava já não era o ideal’’, diz Casagrande, sobre a ajuda da PM e também sobre a situação atual de Londrina, em que distritos e policiais são deslocados de sua função original para cuidar de presos. ‘‘Mas agora ficou muito pior. A minha orientação é que o plantonista não abra a porta em hipótese alguma, mesmo se a pessoa estiver ferida. Mesmo na carceragem, se houver fuga pelos fundos, ele não vai se expor de forma alguma.’’
Ao contrário do 5º DP, a estrutura física dos outros distritos melhorou muito depois da reforma, mas a segurança ainda é preocupante. ‘‘Vejo com apreensão a decisão do comando (da PM), mas não posso questionar: é decisão e eu cumpro’’, afirma o delegado do 2º DP, Antônio Zuba de Oliva. No total, o distrito conta com 94 presos - 82 adultos, mais 12 adolescentes. ‘‘Se acontece alguma coisa, até para telefonar é mais difícil. Policial rendido não tem como pedir socorro.’’

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