Os delegados de polícia do Paraná estão reivindicando o pagamento de auxílio-moradia pelo governo do Estado. Eles ameaçam entrar com uma ação judicial para garantir o benefício. O auxílio-moradia já foi autoconcedido no Paraná pelas autoridades do Tribunal de Justiça e Ministério Público há cerca de quatro meses. O Tribunal de Contas foi o último a se valer do benefício, em setembro passado. Na avaliação do delegado João Ricardo Képes Noronha, presidente da Associação dos Delegados de Polícia do Paraná (Adepol) e ex-delegado geral da Polícia Civil (afastado do cargo por suposta ligação com o crime organizado), todos os delegados de Polícia também têm o mesmo direito. ‘‘É o princípio da isonomia entre os três poderes’’, comentou ele.
No próximo dia 8 de novembro, durante uma assembléia geral extraordinária, convocada para às 16 horas, na sede da Adepol, os delegados deverão discutir o tema. ‘‘Os próprios delegados pediram para que a Adepol tomasse as providências judiciais para garantirmos o auxílio-moradia’’, salientou ele, ao comentar que a Adepol tem atualmente 531 associados.
Levantamento feito ontem pela reportagem da Folha revela que os salários dos delegados de Polícia no Paraná podem variar entre R$ 2,2 mil e R$ 15 mil. Os valores dependem do tempo de serviço, das gratificações incorporadas aos salários, das promoções por mérito e dos cargos adicionais.
O valor do auxílio-moradia, de acordo com Noronha, varia entre R$ 1 mil e R$ 3 mil e deverá ser estendido também para os delegados. As primeiras discussões sobre o tema aconteceram no dia 11 de agosto, no gabinete da presidência da Assembléia Legislativa. Na oportunidade, o deputado Nelson Justus (PTB), presidente da Casa, ficou de fazer a intermediação das negociações. ‘‘Vamos esgotar administrativamente todas as possibilidades de diálogo antes de partirmos para a ação judicial’’, afirmou.
No próximo mês, Noronha pretende ter uma audiência com o secretário-chefe da Casa Civil, Alceni Guerra, para discutir o assunto. Ontem, o secretário disse não ter qualquer parecer sobre o tema.
O deputado Nelson Justus confirmou que teve uma audiência com representantes da Adepol no dia 11 de agosto, onde foram discutidos temas como auxílio-moradia, crise da Polícia Civil, falta de equipamentos e infra-estrutura. ‘‘Estamos tentando intermediar as reivindicações da classe. Mas a gente só vai até onde o braço alcança’’, justificou o parlamentar.
Ainda na reunião da assembléia geral, os delegados irão debater uma proposta para a transformação dos bens imóveis da Adepol em títulos representativos individuais. A intenção é converter R$ 1 milhão de patrimônio em títulos igualitários divididos entre os delegados.

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