Delegados querem fim de nomeações de calça-curta
PUBLICAÇÃO
sábado, 21 de novembro de 1998
James Alberti 
Delegados de carreira propõemao governo do Estado o fim das nomeações de delegados calça-curta (geralmente cabos e sargentos da Polícia Militar indicados por políticos). A proposta foi discutida ontem em uma reunião na sede da Associação dos Delegados de Polícia (Adepol) do Paraná, em Curitiba, que teve a participação de 21 delegados do Estado.
A medida é apontada pela classe como uma forma de o governo diminuir ainda mais as despesas, a exemplo do decreto assinado anteontem pelo governador Jaime Lerner, que cortou gratificações para 150 funcionários, no valor de R$ 150 mil ao mês.
O presidente da Adepol, Ricardo Kepps de Noronha, que disputa a vaga de delegado-geral, disse que as nomeações dos delegados calça-curta é lucidamente inconstitucional e, portanto, seria uma boa hora para o governo pôr um fim nisto. Conforme a Constituição a investigação é presidida pelo delegado de polícia, afirmou. No estado, segundo ele, existem cerca de 200 delegados calça-curta. O Paraná é um dos raros Estados do Brasil que mantém essa figura atípica, criticou.
Apesar de propor medidas de contenção, Noronha adiantou que vai pedir uma gratificação aos 17 membros do Conselho da Polícia Civil tão logo as dificuldades financeiras do governo estadual sejam superadas. Os conselheiros merecem a gratificação face a lei complementar número 14 de 1988 e em razão de se tratar de membros de um órgão consultivo e deliberativo da polícia, disse.
Devido ao pânico que se espalhou pela classe, a reunião na Adepol serviu para acalmar os ânimos do delegados, que estavam assustados com a possibilidade de novos cortes anunciados pelo governo.
O temor maior entre a classe era de que tais medidas de contenção viessem a atingir os salários dos delegados, em especial as verbas de representação e adicionais, consideradas vantagens de caráter pessoal.
Há pouco tempo, os delegados ganharam na Justiça o direito de receber essas gratificações, o equivalente a R$ 2 mil. Os delegados conseguiram que este valor ficasse fora do índice limitador (que determina que o maior salário deve ser, no máximo, 20 vezes o menor salário, cerca de R$ 142).
Para Noronha, os prejuízos e resistências aos cortes do governo não devem ser maiores do que a avalanche de pedidos de aposentadoria, feitos durante esta semana.


