Curitiba - A Associação dos Delegados de Polícia do Paraná (Adepol) e o Sindicato dos Delegados de Polícia do Paraná (Sindipol) devem encaminhar ao governador Roberto Requião (PMDB) e ao secretário de Estado da Segurança, Luiz Fernando Delazari, um documento com 23 itens considerados pelas entidades problemáticos e de primeira necessidade na segurança pública no Paraná. As duas entidades também devem entrar na Justiça estadual com um pedido para que o secretário receba uma notificação judicial que previne responsabilidade e resguarda os direitos da classe.
De acordo com o presidente da Adepol, João Ricardo Képes Noronha, além de pleitear melhorias na Polícia Civil do Estado, os delegados também querem se resguardar caso no futuro sejam responsabilizados por não atuarem adequadamente. ''O setor está vivendo em crise. Falta pessoal, treinamento e estrutura para o trabalho nas delegacias do Paraná. O documento, que foi elaborado em reuniões com todos os delegados do Estado, não visa responsabilizar ninguém ou um governo em específico pelo problema, mas sim sugerir soluções'', afirma.
Entre os principais argumentos do documento estão o pequeno número de policiais na ativa, que segundo Noronha é de 3.172, sendo que existem 3.771 vagas em aberto, a falta de capacitação e de qualificação constante, já que o Estado não estaria promovendo cursos de reciclagem e nem melhorou o currículo de formação, que estaria ultrapassado, e falta de estrutura, que vai desde equipamentos antigos e defasados até falta de papel nas delegacias. ''A população recebe hoje um atendimento sem qualidade e encontra um policial desmotivado'', reclama Noronha.
Apesar de a grande maioria das mudanças sugeridas pela Adepol ser estrutural, o presidente da associação garante que 90% delas não demanda grandes gastos, mas sim vontade de fazer. Noronha faz questão de ressaltar que o documento não tem cunho político, mas sim técnico. Porém, quando questionado sobre o tom crítico das propostas, o delegado se defende dizendo que é impossível falar de um setor com tantos problemas sem ser dessa forma.
Trechos do documento dizem que ''é necessário que se tenha o direcionamento dos recursos para os devidos fins. (...) É preciso que se garanta a utilização dos recursos para o reequipamento policial, o que não vem acontecendo. O controle deveria ser feito por uma comissão mista, com representantes de todas as instituições. (...) Tramitam na Justiça ações que questionam o superfaturamento e a impropriedade de recursos adquiridos pela Secretaria de Segurança''. O documento diz também que é preciso retomar operações que devolvam a sensação de segurança, citando várias operações policiais que foram canceladas.
Mesmo garantindo que os problemas não estão sendo atribuídos a ninguém em específico, ele alfinetou o governo do Estado dizendo que a ''vida da população paranaense não pode valer menos que bingo'', referindo-se ao grande número de viaturas policiais que o governo manda para as portas dos bingos. A Secretaria de Segurança informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que não vai se manifestar sobre as propostas da Adepol e do Sindipol.

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