O delegado responsável pela Regional de Astorga (Norte), Acácio Azevedo, comenta que o prédio da delegacia foi construído na década de 50 e não sabe explicar o motivo de uma instituição que atende crianças foi erguido ao lado da sede da Polícia Civil. Porém, ele reconhece que algumas mudanças são difíceis de ocorrer. ''Esse é o quadro que existe hoje e precisamos trabalhar com o que temos.'' A carceragem, projetada para 16 pessoas, abriga cerca de 60.
O delegado revela preocupação com a proximidade dos prédios, mas garante que os policiais são orientados a não utilizarem armas em caso de confronto. Atualmente a delegacia conta com 16 câmeras, os muros têm mais de três metros de altura e é cercado com arames farpados para inibir tentativas de salto durante a fuga. ''Só não instalamos câmeras dentro das carceragens porque a lei não permite e mesmo assim houve a fuga'', comenta.
Delegado em Rolândia há um mês, Roberto Fernandes identifica a situação como preocupante, mas defende que a maneira como a carceragem está estruturada dificulta a fuga para a Apae. ''Os presos estão a cinco metros da rua e a 25 da Apae, é pouco provável que o detento escolha fugir para aquele lado. Além do mais, o chão e o teto das celas são reforçados'', justifica.
A exemplo de Astorga, Rolândia enfrenta superlotação: são 100 presos, quando a carceragem foi projetada para 56. ''Meu sonho era ter um setor de investigação e não ter que destinar pessoal para guardar presos, talvez até um prédio novo, mas isso não é algo que acontece da noite para o dia'', conclui.
O delegado-chefe da 10 Subdivisão Policial em Londrina, Márcio Vinícius Amaro, a quem se reportam delegados de 21 municípios, informa que embora exista o problema, não há registro de nenhum morador ou responsável por instituição que tenha reclamado formalmente sobre o assunto nos últimos meses.
O secretário estadual de Segurança Pública, Reinaldo de Almeida Cesar, reconhece que delegacias em lugares onde o fluxo de pessoas é alto representam um risco e este problema precisa ser resolvido. Sem estipular prazos, ele avalia que o ideal seria a construção de unidades para que presos condenados deixem as delegacias. ''Cela de delegacia não é lugar para presos condenados. Essa parte da população carcerária está sendo mantida indevidamente ali'', argumenta. Segundo o secretário, atualmente o sistema prisional paranaense mantém aproximadamente 15 mil presos em delegacias. (V.F.)

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