A extinção dos cargos de delegados nomeados, os chamados ‘‘calças-curtas’’, na Polícia Civil do Paraná sobrecarregou os delegados de carreira que trabalham no interior do Estado. Alguns delegados estão respondendo por até sete delegacias. Eles reclamam do acúmulo de trabalho e cobram da Secretaria de Segurança Pública, a nomeação de delegados de carreira para as cidades onde a função era exercida por delegado ‘‘calça-curta’’.
Desde o dia 1º de janeiro, os assistentes de segurança (delegados nomeados) e os suplentes estão proibidos de exercer funções privativas dos delegados de carreira. A resolução foi assinada no final de dezembro pelo ex-secretário de Segurança, Rubens Abrahão Tanure. A mesma resolução determinou que os delegados de carreira lotados nas delegacias regionais passassem a responder por todas as delegacias das comarcas.
Em Cianorte, (87 km a nordeste de Umuarama) o delegado Nelson Tavares está respondendo pela sede e mais cinco delegacias: Jussara, São Tomé, Japurá, São Manoel e Indianópolis. Segundo Tavares, a maior dificuldade é a falta de funcionários nas delegacias. ‘‘Nenhuma tem escrivão, investigador ou auxiliar. O escrivão de Cianorte está de férias e eu acabo tendo de fazer todo o serviço sozinho’’, disse. O delegado está trabalhando de domingo a domingo e não pode mais viajar.
Em Cidade Gaúcha (80 km a nordeste de Umuarama), o delegado José Teodoro Guimarães, acumulou o trabalho de cinco delegacias. Além de Cidade Gaúcha, ele está respondendo por Nova Olímpia, Rondon, Guaporema e Tapira. ‘‘Não tenho mais um dia de folga e às vezes, enfrento o desafio de ter de atender duas cidades ao mesmo tempo’’.
Até 31 de dezembro, o trabalho nas delegacias das pequenas cidades era feito por delegados nomeados, geralmente por indicação política. Eram funcionários do próprio quadro da Polícia Civil ou leigos que recebiam uma remuneração extra para exercer a função de delegado. Como não podem mais assinar nada, nem recebem remuneração pela função, a maioria acabou desistindo de continuar colaborando.
Na região de Paranavaí a situação é preocupante. Oito delegacias estão sem delegado-chefe há 45 dias. Os municípios de Loanda, Santa Cruz do Monte Castelo, Querência do Norte, São Pedro do Paraná, Porto Rico, Diamante do Norte, Marilena e Itaúna do Sul, com um total aproximado de 120 mil habitantes, também não têm escrivães e nem investigadores de polícia. A região tem 39 áreas ocupadas por sem-terra, entre invasões e assentamentos. (Colaborou Marccio W. Varella)

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