O delegado do 2º Distrito Policial de Londrina, José Antônio Zuba de Oliva, participa hoje em Curitiba de reunião com outros delegados paranaenses que abriram inquéritos para investigar os reponsáveis pela falsificação do remédio Androcur, utilizado no tratamento do câncer de próstata.
Zuba de Oliva visitará ainda a Delegacia de Crimes contra a Administração Pública, a Promotoria de Defesa do Consumidor e a Delegacia de Homicídios. ‘‘O objetivo destas visitas e da reunião com os respectivos delegados é a unificação no encaminhamento das investigações que estão sendo realizadas no Paraná deste maio’’, comentou o delegado do 2ª DP de Londrina.
Milhares de comprimidos falsificados foram distribuídos a pacientes do Hospital de Clínicas (HC) de Curitiba e do Hospital Universitário (HU) de Londrina, entre janeiro e abril deste ano. O remédio - que é produzido pela empresa alemã Shering do Brasil, em São Paulo - foi repassado ao HC e HU pela distribuidora Abifarma.
‘‘A reunião servirá para a troca de informações e a checagem do conteúdo dos vários depoimentos tomados dos envolvidos pelos delegados ao longo dos inquéritos’’, ressaltou Zuba de Oliva. ‘‘Na sequência, avaliaremos a necessidade ou não de outros depoimentos antes da elaboração do relatório final do inquérito a ser encaminhado à Justiça.’’
Na semana passada, esteve em Londrina para prestar depoimento ao delegado do 2º DP um dos diretores da Shering, Jorge Fahad Muller. Segundo Zuba de Oliva, o representante da indústria farmacêutica demonstrou interesse em colaborar com as investigações e na descoberta dos responsáveis pela fraude. ‘‘Além do problema de saúde causado aos pacientes, a falsificação do Androcur prejudicou muito a imagem do laboratório’’, disse o delegado.
A denúncia de que o remédio - fabricado à base de hormônios - falso estava sendo comercializado no País foi feita pela própria Shering, no início do ano. Em fevereiro, foi apreendido em Minas Gerais o primeiro lote de comprimidos adulterados. Em depoimento a delegados de Curitiba, diretores da Abifarma admitiram que não têm controle sobre a qualidade dos remédios por ela distribuídos e que o Androcur repassado ao HC e ao HU teria vindo de uma rede de farmácias de Porto Alegre (RS). Há a suspeita de que dois pacientes do HC da Capital morreram em consequência do uso do medicamento falso.

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