Curitiba Os delegados do Paraná devem notificar, judicialmente, o governo do Estado sobre os problemas de falta de estrutura na área da segurança pública. Pelo menos, essa é uma das sugestões do presidente da Associação dos Delegados de Polícia do Paraná (Adepol), João Ricardo Képes Noronha, que comandou, ontem, em Curitiba, o primeiro de uma série de encontros de delegados, que acontecerão, ainda este mês, em Maringá, Londrina, Foz do Iguaçu e Cascavel.
Segundo Noronha, a medida tem por objetivo ''prevenir responsabilidade e resguardar direito''. Isto quer dizer, de acordo com ele, que os delegados querem estar seguros de que cumpriram seu papel de alertar o governo do Estado sobre as dificuldades enfrentadas pela polícia para que a culpa de um eventual caos na área da segurança pública não recaia sobre eles.
A Adepol já ajuizou duas ações diretas de inconstitucionalidade contra o governo: uma que trata da colocação de sargentos da Polícia Militar para ocupar funções de delegado e outra que questiona a legalidade de dispositivos do Estatuto da Polícia Civil. Segundo Noronha, as ações ainda tramitam na Justiça.
O presidente da Adepol frisou, no entanto, que a decisão de notificar o governo terá que partir de um consenso da categoria. Caso venha a se concretizar, a medida seria tomada somente depois da conclusão dos encontros. A intenção é elaborar um documento com um diagnóstico completo da situação da polícia. Noronha destacou que as delegacias sofrem com falta de pessoal, de material de trabalho e combustível, entre outras coisas, e ainda têm que conviver com o problema da superlotação nas carceragens.
A Adepol não tem um levantamento oficial sobre os índices de criminalidade, mas para o presidente da entidade, João Ricardo Képes Noronha, o discurso do governo de queda nos números da violência está distante da realidade. Para ele, a falta de credibilidade na polícia tem feito muitas vítimas de crimes de menor potencial (furtos e sequestros-relâmpago) a sequer prestarem queixa.
Noronha, que já foi delegado geral da Polícia Civil, não quis dirigir críticas diretas à política da atual administração. ''Não queremos travar uma discussão corporativista ou política. Nossa discussão é técnica e profissional'', disse.
O secretário de Estado da Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, foi procurado pela Folha mas, por meio da assessoria de imprensa, avisou que não se manifestaria sobre o assunto.

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