Delegado veio pôr ordem na casa
Marcos NegriniJogo duroMário Sérgio Bradok: formado em Letras, Matemática, Farmácia e Direito.Poucos delegados podem se dar ao luxo de serem formados em quatro cursos superiores. O delegado de Querência do Norte, Mário Sérgio Bradock, é. Delegado de carreira, com experiência em vários municípios do Paraná, tem diploma de Letras, Matemática, Farmácia e Direito.
Mas o currículo de Bradock não pára por aí. Ele já teve farmácia, foi professor e atuou como advogado. Natural de Ponta Grossa, o delegado ingressou na polícia como agente da Polícia Federal em 1979.
A carreira o agrada. Onde tem confusão eu estou no meio, afirma. Outra coisa que desperta o interesse dele é pôr ordem na casa. Gosto de disciplina e onde eu estou até os presos usam uniforme e fazem ginástica. Bradock já vai logo avisando que nunca teve qualquer bronca por abuso de autoridade ou outros motivos.
Na cidade, a tropa disponível para conter os excessos dos sem-terra, ou quem sabe a eventual reação de jagunços, não é nada invejável. São apenas cinco policiais no total, civis e militares.
Há um mês em Querência do Norte, transferido de Rio Negro (região Sul do Estado), Bradock afirma que está obtendo sucesso na missão de restabelecer a ordem na cidade. Porém, Bradock ainda classifica a cidade como zona amarela. Só não é vermelha porque não existe conflito, ameniza o delegado, ignorando o vermelho que estampa as bandeiras do MST.
Por via das dúvidas, a delegacia foi cercada por cercas reforçadas de arame farpado. O prédio está em reforma. Coloquei luz pra todo lado e abri as portas da delegacia, tanto que os moradores da cidade hoje vêm aqui reclamar do que acham errado, o que não acontecia quando cheguei, revela, sem modéstia.
Para quem duvida, Bradock se diz a favor da reforma agrária e destaca a organização do MST. Mas faz uma ressalva: Afirma que os líderes do movimento vão contra todos que não são simpáticos ao movimento. A gente não precisa gostar do cara ou da causa dele, mas tem que respeitar, diz.
Bradock calcula que existem mais de 6 mil sem-terra na região. A miséria, a falta de perspectiva de futuro e poucos comandando muitos ajudam a reforçar o clima de tensão. As autoridades têm medo deles porque uma massa dessa sem controle é mesmo perigosa, ensina Bradock.





