Delegado vai pedir sacrifício de cães
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sexta-feira, 24 de janeiro de 1997
Marccio W. Varella Sucursal de Maringá 
O delegado Benedito Aurélio Gonçalves, do 2º Distrito Policial de Maringá, vai pedir autorização judicial para sacrificar os três cães da raça mastin napolitano que mataram o bicheiro Mário Tamia, em dezembro, em Apucarana. Transferidos para o Canil Freedog, em Maringá, dois dos mastins - um casal - feriram gravemente o tratador Marco Aurélio da Silva, 19 anos, semana passada.
Marco Aurélio, que teve uma perna amputada sexta-feira, está em estado grave na UTI do Hospital Santa Rita, em Maringá. Segundo boletim médico divulgado ontem, ele estava semi-inconsciente e respirando por aparelhos.
Comecei a estudar hoje o Código de Proteção aos Animais e encontrei um dispositivo que me permite pedir autorização para sacrificar os três cães. Vou pedir autorização ao Judiciário, ouvido o Ministério Público, adiantou o delegado. Ele não quis revelar qual o artigo do código que permite o sacrifício de animais.
Hoje de manhã, da 17ª Subdivisão Policial de Apucarana, Valdete Testone, vai ouvir Kazuo Tamia, filho de Mário Tamia e proprietário dos cães. Kazuo Tamia foi arrolado no inquérito sobre o ataque dos animais ao tratador Marco Aurélio. O inquérito é presidido pelo delegado Gonçalves, de Maringá. Valdete vai perguntar a Kazuo, a pedido de Gonçalves, quem levou os animais de Apucarana para o canil Freedog.
Kazuo disse ontem à Folha que Ari Marcos Borges da Silva, um dos proprietários do canil, levou quatro cães mastin dele de Apucarana para Maringá - entre eles, os três que mataram seu pai.
O dono dos cães ironizou ontem a vontade do delegado Gonçalves de abater os animais. Vou ter que contratar um advogado para pedir um habeas-corpus preventivo para meus cães.
A delegada Valdete revelou ainda que não foi necessário instaurar um inquérito para apurar a responsabilidade pela morte de Mário Tamia, ocorrida em dezembro. Ficou claro para todo mundo, inclusive para a família, que os autores da morte dele foram seus próprios cachorros. Não havia a quem atribuir a responsabilidade pela morte de Mário. Por isso não houve inquérito. Mas se os cães tivessem atacado uma terceira pessoa, estranha à família, aí sim caberia um inquérito, como ocorreu em Maringá.
Em Maringá, um cão mastin napolitano adulto está avaliado em pelo menos R$ 500,00 e costuma servir para segurança de residências e empresas. O animal é conhecido por só reconhecer amigavelmente os donos e não é utilizado pela polícia pois tem fama de desobediente.


