Marta Medeiros
De Maringá
Especial para a Folha
O delegado da Polícia Civil de Sarandi (7 quilômetros a leste de Maringá), José Aparecido Jacovós, disse ontem que vai ouvir na próxima semana a médica Mariane Carrasco, indiciada por negligenciar atendimento a um menino de nove anos, no Pronto Socorro (PS) do município. Segundo Jacovós, a data só não foi marcada por uma questão de agenda. ‘‘O escrivão está avaliando o dia e o horário’’, completou.
A Folha tentou ontem ouvir a versão da médica sobre o caso. No período da manhã, a recepção do Hospital Metropolitano de Sarandi - onde ela também presta atendimento - informou que o horário de Mariane Carrasco era a partir das 14 horas. Neste horário, a reportagem tentou localizar a médica. No Metropolitano disseram para ligar no Centro Médico que fica ao lado do hospital, mas Mariane não estava lá. A telefonista Márcia, do Centro Médico, disse que ela estaria no PS municipal, onde também não foi localizada.
Por volta das 14h55, a reportagem conseguiu falar no celular de Mariane, com uma pessoa que não quis ser identificada. Confirmou que o telefone era da médica e disse apenas que ela não tinha nada a declarar para a imprensa.
Mariane foi indiciada anteontem à tarde, depois que a dona de casa Maria de Lurdes Leite Belizoti, mãe do garoto, procurou a delegacia. Ela contou para o delegado que seu filho passava mal quando foi até o PS e Mariane não quis atendê-lo por causa de denúncias anteriores. A médica é uma das indiciadas em inquérito aberto a pedido do próprio Ministério Público que apura cobranças indevidas feitas pelo Hospital Metropolitano, em atendimentos de pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS).
O filho de Maria de Lurdes foi operado por Mariane em abril deste ano. Na ocasião, o hospital teria cobrado R$ 1,6 mil pela cirurgia de um hematoma na cabeça, alegando que o SUS não cobria este tipo de procedimento.

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