Delegado vai investigar caneta-revólver
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sexta-feira, 01 de agosto de 2003
Luciana Pombo<BR>Equipe da Folha 
Curitiba O delegado Sérgio Inácio Sirino foi designado ontem pela Delegacia Geral da Polícia Civil para investigar o disparo acidental de uma caneta-revólver no gabinete do secretário de Estado da Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari. Na quarta-feira, Luiz Gabriel Costa Passos, 56 anos, assessor do secretário, teve a mão direita atingida por um projétil quando manuseava a arma, de uso proibido no Brasil. Não havia porte de registro do revólver, segundo o exército.
O assessor deve ser ouvido na semana que vem. O delegado deu a entender que não quer polemizar e disse que há assuntos mais relevantes para serem investigados.
O governo do Estado não quer dar brechas para a ala da Polícia Civil, que está se aproveitando politicamente do incidente para fazer críticas à cúpula da Segurança. Na quinta-feira, a Associação dos Delegados de Polícia do Paraná (Adepol) encaminhou requerimento à Corregedoria da Polícia pedindo abertura de inquérito para apurar a procedência e o motivo do disparo. O corregedor Edison Pilati repassou o pedido à Delegacia Geral sugerindo a designação de delegado especial.
A Adepol promete ainda na segunda-feira uma representação criminal contra Delazari. De acordo com o centro de comunicação social do Exército, o uso, fabricação, venda e importação deste tipo de caneta-pistola são proibidos no Brasil. Qualquer uso sem autorização é crime.
De acordo com Delazari, a caneta-pistola foi entregue pelo ouvidor das polícias Luiz Bordenowski. Ela pertenceria ao acervo pessoal do ex-corregedor geral da Polícia Civil Edward Resende Pimenta (já falecido). O acidente teria ocorrido quando a arma foi entregue para ser encaminhada à Delegacia de Armas e Munições. ''Entreguei a arma para que o perito criminal Luiz Gabriel, que trabalha nesta função há 20 anos, desse um destino correto para a caneta. Quando ele pegou, a caneta explodiu. Foi uma fatalidade'', justificou Delazari.
A reportagem da Folha tentou falar por várias vezes com Bordenowski, mas não conseguiu localizá-lo. (Colaborou Leandro Donatti)


