Marccio W. Varella
O delegado de Nova Londrina (100 km ao norte de Paranavaí), Eduardo Mady Barbosa, informou ontem que vai indiciar o presidente regional da UDR (União Democrática Ruralista), Marcos Prochet, no inquérito que apura as responsabilidades sobre a desocupação com violência, de dois acampamentos de sem-terra nas fazendas Boa Sorte e Santo Ângelo, sábado, em Marilena. ‘‘Já tenho fortes evidências contra Prochet, por isso preciso ouvi-lo. Se conseguir provas materiais de sua participação, com certeza vou pedir sua prisão preventiva’’, afirmou. Também serão indiciados os proprietários das fazendas, Teissim Tina e Toshio Konda.
Barbosa vai continuar ouvindo hoje depoimentos de trabalhadores sem-terra. Segundo Barbosa, Prochet deverá depor na semana que vem, juntamente com o proprietário da Fazenda Figueira - onde parte dos pistoleiros que participaram da desocupação foram presos domingo -, Marcelo Aguiar.
O delegado pediu também ontem a prisão preventiva do detetive Osnir Sanches, de Paranavaí, acusado pelos sem-terra de contratar os pistoleiros e participar da desocupação. Os depoimentos que mais impressionaram o delegado foram os dos sem-terra Elói Citadalla, João Otaviano dos Santos e Edson Luiz Zanini. Eles contaram ao delegado todos os detalhes da retirada dos acampados.
Segundo o delegado, Santos disse que reconheceu Prochet através da voz e das características físicas. Citadalla chegou a afirmar que Prochet teria levantado o capuz durante a desocupação. Santos e Citadalla, informou Barbosa, disseram que já conheciam Prochet. Os dois contaram em seus depoimentos que Osnir Sanches participou ativamente da desocupação. ‘‘Santos me disse que os jagunços começaram a chamar Osnir pelo seu nome, gritando, e que o Osnir respondia implorando: ‘Não me chamem pelo meu nome’. Ele está foragido, mas vamos encontrá-lo’’, disse o delegado.
Barbosa informou ainda que os sete suspeitos de participar da desocupação das fazendas, presos em Paranavaí, poderão ser transferidos até o final desta semana para as celas da 9ª Subdivisão Policial de Maringá : ‘‘Lá é mais seguro. Em Paranavaí pode haver manifestação. A gente tem que se prevenir’’.
A Polícia Federal está presente nas investigações para identificação das armas que foram apreendidas com os pistoleiros presos domingo. Cinco das oito escopetas apreendidas são suspeitas de contrabando, pois não têm registro.

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