O delegado do 2º Distrito Policial, Antônio Zuba de Oliva, vai indiciar três funcionários do Terminal Rodoviário de Londrina (TRL) que têm as senhas para abrir o sistema de computadores do local. Ele não revelou os nomes dos indiciados.
Em laudo do Instituto de Criminalística (IC), peritos dizem que o desvio da taxa de embarque só foi possível porque a fraude foi mascarada no sistema de computação. Os recibos eram emitidos para a empresa no ato da entrega da taxa de embarque. Depois, eram apagados do sistema. Segundo a administração da Rodoviária, apenas três pessoas conhecem a senha.
Segundo informa o delegado, um dos três funcionários que estão sob suspeita pediu demissão. Os outros dois continuam trabalhando normalmente. A polícia já ouviu depoimento de mais de 20 pessoas, entre funcionários das empresas de transporte intermunicipal, da administração do Terminal e da Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Codel).
Nesta semana Zuba vai encaminhar ofício às empresas princesa do Ivaí e Ouro Branco, solicitando que entreguem todos os recibos emitidos pelo TRL no período entre nove de março de 96 e 31 de dezembro de 97. ‘‘Quero saber exatamente quanto foi desviado’’, afirma o delegado. Até agora a polícia só dispõe dos recibos da entrega do movimento da empresa Viação Garcia em 97. Os documentos mostram desvio de R$ 53 mil. Mas o Instituto de Criminalística descobriu que recibos das empresas Princesa do Ivaí e Ouro Branco também foram apagados.
A taxa de embarque é obrigatória. Corresponde hoje a R$ 1,00 por passageiro e é cobrada junto com a passagem. Recolhida pela empresa de transporte, ela é repassada diariamente à administração do TRL, responsável pela emissão do recibo. O TRL recolhe cerca de R$ 120 mil por mês, incluindo todas as taxas e serviços prestados: estacionamento, guarda-volumes, aluguéis das lojas, etc. A taxa de embarque representa 60% da arrecadação da Rodoviária.
O delegado devolveu ontem o inquérito ao Fórum, pedindo mais 30 dias para concluir os trabalhos. ‘‘As empresas têm que enviar os documentos que faltam e precisamos ouvir novos depoimentos dos funcionários indiciados. Isso exige tempo.’’ A Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Codel), responsável pela administração do TRL, vai aguardar o fim do inquérito policial para abrir nova auditoria. A Codel pretende fazer uma ‘‘operação pente-fino’’ na Rodoviária.

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