Delegado vai indiciar donos de carros furtados
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 18 de março de 1998
Lucinéia Parra 
O delegado Pedro Brambilla, responsável pelo inquérito policial que apura denúncias contra uma quadrilha de furto de carros formada por policiais militares de Maringá, espera receber até amanhã os boletins de ocorrências de São Paulo para indiciar proprietários de veículos furtados pelos acusados. Segundo Brambilla, a maioria dos veículos envolvidos é de São Paulo. Com base nos boletins de ocorrência, os proprietários poderão responder processo por falsa comunicação de crime.
Além dos quatro policiais militares de Maringá, também foi preso no final da tarde de anteontem o agente penitenciário Edmir Cardoso da Silva, de Londrina. Ele também é acusado de participar da quadrilha especializada em furto de carros segurados.
O soldado Carlos Osmar Alves, acusado de ser o chefe da quadrilha, confessou ter organizado um grupo de policiais para levar carros furtados ao Paraguai. Ele disse que chegou a fazer contato com Marcos Aurélio da Silva, conhecido como Marcão, de Pitangueiras, para buscar os carros furtados em São Paulo. Alves afirmou que sua participação no crime se limitava a buscar os veículos em São Paulo e levá-los para o Paraguai.
Os veículos eram deixados em Salto Del Guayra, onde um receptador fazia o pagamento pelo transporte. Cada policial recebia R$ 300,00 por veículo transportado. O restante do dinheiro, cerca de R$ 2 mil, era depositado na conta de Marcos Aurélio da Silva, que está foragido.
Os envolvidos no caso, conforme Brambilla, vão responder processo por estelionato, receptação de veículos e furto. Os quatro PMs de Maringá são o sargento Paulo Lucas de Lima e os soldados José Berto da Silva Neto, Adelino Gomes de Moraes e Carlos Osmar Alves. Anteontem, o comandante do 4º BPM, Alberto Augusto da Silva, disse suspeitar que a quadrilha pratica o golpe do seguro, uma vez que todos os carros furtados eram segurados.


