Marcos BorgesInvestigaçõesO delegado Helmut, que investiga o caso; advogado deu detalhes sobre o que teria ocorrido ORTIGUEIRA - O delegado de Ortigueira (110 quilômetros ao sul de Apucarana), Valter Helmut, disse à Folha que o assassinato do funcionário da Assembléia Legislativa do Paraná, Rogério Macedo Postarek, 47 anos, teve características de execução. A afirmação está baseada nos depoimentos de três testemunhas que presenciaram o crime, ocorrido no dia 14. Os acusados são o ex-prefeito de Mauá da Serra, Inácio Mendes Filho, e os irmãos dele, Isaías José Santana e Isonei Santana.
‘‘As testemunhas deram detalhes importantes da morte que ajudaram na identificação dos autores’’, comentou. Uma das testemunhas, que estava perto do local do crime - um reflorestamento de pinus da família de Inácio - ouviu um tiro. ‘‘Ao checar o que acontecia, viu Isaías e Inácio retirando o corpo de Postarek de dentro do carro, estendendo-o no chão. Em seguida, deram vários tiros no corpo’’, informou.
O crime está envolto em mistério. Na sexta-feira, o advogado e irmão de Inácio, Flávio José Santana, procurou a Folha e contou sua versão sobre o crime. O motivo da morte de Postarek seria uma dívida da campanha política de 92 feita pelo irmão com um funcionário da Assembléia Legislativa identificado como Bibinho (Abib Miguel, diretor-geral). A dívida estaria hoje em R$ 100 mil. Segundo Flávio Santana, Postarek é segurança da Assembléia Legislativa.
Abib Miguel afirmou à Folha desconhecer o teor da denúncia e disse que não tem nada a receber de Inácio Mendes Filho. ‘‘Ele é meu amigo. A última vez que o vi foi no ano passado, quando era prefeito’’, comentou. O diretor geral disse que Inácio também era muito amigo do Postarek. ‘‘Estranhamos o crime. Quem pode contar o que realmente aconteceu é o ex-prefeito’’.
Abib negou que Postarek fosse segurança da Assembléia. ‘‘Ele era funcionário administrativo da Assembléia e nos últimos meses estava licenciado. Ele foi para Ortigueira fazer trabalho particular’’, afirmou.
Contradições O advogado Flávio Santana disse que seu irmão, Inácio Mendes Filho, o procurou logo após o crime e deu todos os detalhes dos fatos. ‘‘Nós conversamos no Bairro dos França - distrito de Ortigueira. Ele estava com o nariz quebrado e bastante machucado’’, informou. Inácio denunciou ter sido ‘‘sequestrado’’ na porta de sua casa, em Mauá da Serra.
‘‘O Postarek, junto com outros dois homens, pegou o meu irmão e o levou para a localidade de São José. Lá, meu irmão apanhou bastante para que pagasse a dívida, senão, morreria’’. Em seguida, segundo conta Flávio, o grupo foi para Ortigueira, onde Inácio tem com os irmãos uma área de reflorestamento de pinus.
‘‘Os dois homens ficaram no Posto Tio Patinhas, na entrada da cidade, enquanto que Inácio e o Postarek foram para o reflorestamento’’, argumentou. No reflorestamento, os dois irmãos viram Inácio machucado e quiseram saber o que havia acontecido. ‘‘Ao saberem que Postarek estava armado cobrando uma dívida, houve reação e troca de tiros, quando o segurança foi morto’’, informou.
Ele e a família foram obrigados a abandonar suas casas para não serem mortos. Flávio denunciou que homens armados os procuravam e ‘‘tinham ordem de pegar qualquer pessoa da família para obrigar o Inácio a se entregar’’. Os filhos do ex-prefeito, Gisele e Inácio Mendes Júnior, encaminharam esta semana uma carta para a secretária da Criança e Assuntos da Família, Fany Lerner, pedindo proteção de vida para elas e suas famílias.

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