ANDIRÁ - O traficante Cidimar Ronaldo da Silva, conhecido como Ueda, pode estar vivo. A afirmação foi feita ontem pelo delegado do 8º Distrito Policial de Curitiba, Paulo César Rodrigues, que acompanha o caso desde 1994, quando dirigia a delegacia antitóxicos.
Segundo ele, as suspeitas de que o corpo encontrado em Cariacica (100 quilômetros de Vitória, ES) no início de novembro não seria de Ueda partiram da informação que ninguém conhecia o traficante naquela cidade.
A segunda hipótese foi levantada anteontem, com a busca do integrante da quadrilha de Ueda, Eduardo Silva de Oliveira, 30 anos, conhecido como Camufla, que estava preso por furtos há um ano e cinco meses em Divinópolis (MG). Camufla afirma que Ueda cuidava muito bem dos dentes e que a arcada encontrada possui diversos dentes estragados. ‘‘Não acredito que seja dele’’, afirmou.
Camufla foi condenado há 8 anos por envolvimento com a quadrilha. Ele era responsável por comprar e vender carros roubados pela quadrilha de Ueda. Camufla alega que nunca soube de envolvimento da quadrilha com o tráfico. ‘‘Conheço Ueda desde criança e só fazia rolo de carros pra ele’’.
Outra suspeita levantada pelo delegado é que o estado do corpo quando foi encontrado caracterizava morte ocorrida há 90 dias e não 25 ou 30 como foi afirmado. ‘‘Sem contar que Ueda calça 38 ou 39 e os sapatos encontrados no corpo são número 42’’, afirma.
O juiz de Andirá Antônio Carlos Choma, contesta a hipótese de que o corpo não seja de Ueda, uma vez que os exames na arcada dentária feitos pela odontolegista, Ana Beatriz França, confirmaram com a documentação dentária (raios X e ficha dentária). ‘‘A profissional não iria fazer o laudo positivo se não fosse verdade’’, rebate o juiz. Ele ainda não vê necessidade de um exame de DNA.
Ana Beatriz França não foi encontrada. O médico legista de Jacarezinho, Jorge Yasbic, que acompanhou os exames, garantiu que a arcada condiz com a documentação enviada. ‘‘Não tem como negar porque a comparação da arcada com as radiografias são idênticas, até mesmo obturações e jaquetas’’, explicou.
O delegado Oliveira diz não duvidar da precisão dos exames. ‘‘O que não sabemos é se o raio X examinado é do Ueda ou do corpo encontrado’’, ressaltou. Segundo ele, o corpo pode ser de Carlos Daniel da Silva (Carlinhos), com quem o traficante se desentendeu por ciúmes da namorada. Carlinhos chegou a disparar alguns tiros contra Ueda.
Oliveira informa que o corpo encontrado estava sem a arcada dentária superior. ‘‘Exatamente onde Carlinhos tinha um pivô de ouro. O desaparecimento da arcada superior pode ter sido proposital’’, suspeita Oliveira.
Dos 22 membros da quadrilha denunciados, 19 foram condenados a um total de 201 anos de prisão, e 11 cumprem pena. Continuam foragidos além de Ueda, que foi condenado há 27,9 anos, Edemundo Merline, condenado a 12 anos; Antônio Cândido Pereira (Da Lua), condenado a 5 anos; Luiz Carlos Bruno (Pássaro Preto), condenado a 16 anos; José Carlos Pereira da Silva (Gordo), condenado há 8 anos; Milton Chimbica, condenado a 9 anos; Clodoaldo Aparecido Viola (Violinha), condenado a 5 anos; José Melo da Silva, condenado a 8 anos, e Tereza Melo da Silva (mãe de Ueda), condenada a 9 anos.

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