Dimitri do Valle
De Curitiba
O delegado Sebastião Gaspar, que investiga as ações do crime organizado em Rio Branco do Sul, Região Metropolitana de Curitiba, voltou a afirmar que pode ser alvo de pistoleiros. Por intermédio de informantes da Polícia Civil, o delegado disse que soube da existência de um novo plano arquitetado ontem numa chácara da cidade de Colombo.
A trama envolveria empresários da região que convidariam Gaspar para uma churrascada. Segundo o delegado, a festa seria o pretexto para armar a emboscada. Na Sexta-Feira Santa, ele já tinha recebido informações de colegas do interior do Estado de que um contratante estaria atrás de cinco matadores profissionais.
Sebastião Gaspar completa hoje uma semana à frente do comando da Delegacia de Rio Branco do Sul. Um dia antes da posse, ele encontrou a porta de sua sala danificada por um tiro de escopeta calibre 12. O delegado acredita que a série de intimidações tem a finalidade de tentar atrapalhar as investigações de crimes praticados por pessoas influentes de Rio Branco do Sul.
Para não prejudicar o esclarecimento de dez casos de assassinatos e a descoberta de um cemitério clandestino de motores, Gaspar declarou que não vai apurar as ameaças que recebeu. ‘‘Deixei para o Dr. Leonyl (Ribeiro, delegado-geral da Polícia Civil) designar alguém para isso’’, disse. O chefe da corporação deu crédito para as denúncias que Gaspar vem recebendo.
‘‘Neste serviço sempre tem aqueles que estão contra. É lógico que esse pessoal não tem interesse que as coisas sejam esclarecidas. Vamos procurar identificar os responsáveis por estes fatos’’, anunciou Ribeiro. Ontem à tarde, os primeiros motores deveriam sair do cemitério em direção ao Regimento de Polícia Montada, no bairro Tarumã, em Curitiba. Eles ficarão guardados nas instalações da Polícia Militar enquanto durarem as investigações.
Cinco depoimentos que seriam prestados ontem na delegacia foram adiados até que a Promotoria de Investigações Criminais (PIC) envie para Gaspar as informações sobre os homicídios e a máfia dos desmanches. Entre os depoentes estão dois tratoristas que trabalharam no terreno onde foi descoberto o cemitério de motores, um representante da mineradora Brascal, considerada a proprietária da área, um presidiário, e uma mulher que garante saber os responsáveis pelo assassinato de seu filho.

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