Paulo Pegoraro
O delegado Luiz Alberto Cartaxo de Moura, 42 anos, deixou ontem a chefia da 15ª Subdivisão Policial (SDP) de Cascavel, passados apenas 66 dias de sua posse. O cargo foi assumido por Aroldo Davison, 49 anos, vindo da Corregedoria da Polícia Civil. Cartaxo foi substituído depois de concluir investigações contra policiais acusados de irregularidades funcionais e crimes - como desaparecimento de carro apreendido e tráfico de drogas no minipresídio.
Cartaxo enfrentou oposição interna na 15ª SDP, superada com a transferência de policiais. E também a sistemática oposição do deputado estadual Tiago de Amorim Novaes (PPB), que apresenta programa policial no rádio e reivindica o ‘‘mando político’’ sobre o cargo. O deputado nunca se conformou de não ter sido consultado pela Secretaria de Segurança sobre a substituição da chefia e equipe anterior, com as quais tinha ligações, e sobre a nomeação do novo titular da subdivisão. ‘‘Esta terra tem dono’’, bradava o deputado radialista, até confirmar-se a saída de Cartaxo.
O delegado, oriundo de Curitiba, foi designado para o cargo numa espécie de ‘‘intervenção emergencial’’ da Secretaria por causa de denúncias do Ministério Público (estadual e federal) contra delegados e policiais, por acobertamento à usurpação da função policial e envolvimento no golpe ‘‘3x1’’ - troca de dinheiro falso por verdadeiro. Sob o comando de Cartaxo, ocorreram as investigações internas em onze casos de irregularidades ou crimes.
O delegado não dá detalhes, mas revela que um dos investigados foi o ex-superintendente Manoel Pedro dos Santos, que estaria envolvido na venda de uma caminhonete Saveiro, apreendida, para um ex-preso por tráfico de drogas. Outro investigado foi o ex-carcereiro do minipresídio Adilson Dudeck, que teria envolvimento com o tráfico de drogas junto a detentos. ‘‘O assunto agora é da competência do Conselho da Polícia Civil’’, disse Cartaxo. Ele também acusa o comando anterior da 15ª SDP de divulgar números sobre ocorrências ‘‘inferiores aos reais’’.
Sobre a questão do ‘‘mando político’’ sobre o cargo, Cartaxo disse que sua substituição está mais ligada ao prefeito Salazar Barreiros (PPB) do que ao deputado. O novo chefe da 15ª SDP Aroldo Davison afirma desconhecer ‘‘se houve interferência política’’, mas, segundo ele, ‘‘tudo se decide politicamente e, se for com intenção positiva, é normal’’. O prefeito Salazar Barreiros afirma não ter interferido para a saída de Cartaxo. ‘‘A mim só interessa termos uma polícia eficiente’’, disse.
O delegado Aroldo Davison anunciou a substituição de todos os ocupantes de cargos de chefia na 15ª SDP. De imediato, haverá troca na superintendência e Furtos e Roubos, e depois assumirão novos delegado-adjunto e carcereiro. Davison, 21 anos de carreira, chefiou várias delegacias especializadas em Curitiba. Foi um dos responsáveis, no início dos anos 80, pela organização da primeira equipe anti-sequestro da Polícia Civil que, segundo ele, ‘‘não deixou nenhum caso sem solução’’.

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