O chefe da Divisão Policial do Interior, Clóvis Galvão, estará hoje em Londrina para conversar com o delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial, Pedro de Jesus Colaço. Entre outros assuntos, eles vão tratar sobre a dificuldade de acesso dos jornalistas aos boletins de ocorrência (BO), determinada por Colaço há uma semana.
‘‘Eu não posso me posicionar, porque estou sabendo do fato agora. Mas vou conversar com o Colaço para saber o que está ocorrendo e como pode ser resolvido’’, afirmou Galvão, chefe imediato de Colaço. Ele afirmou que não é contra a divulgação das informações. ‘‘Acho que a transparência é sempre a melhor política.’’
Ontem teve um novo capítulo da briga entre imprensa e o delegado-chefe. Por volta do meio-dia, ele determinou a retirada das mesas e da linha telefônica ocupadas pelos jornalistas, há mais de dez anos, em um canto embaixo da escadaria do prédio da 10ª SDP. As mesas e cadeiras, propriedade de várias emissoras de rádio da cidade, começaram a ser retiradas ainda ontem.
Segundo Colaço, não foi uma retaliação à imprensa, mas uma mudança administrativa. ‘‘Vamos usar a sala para instalar o setor de PBX da delegacia.’’ Ele disse que as telefonistas da 10ª SDP estão trabalhando em um cubículo sem ventilação. ‘‘Elas também passarão a dar informações ao público, um setor que não existe atualmente’’, explicou. Além disso, segundo ele, o gasto com telefone está alto. ‘‘A imprensa vinha usando um telefone do Estado e isso não pode acontecer.’’
Para Colaço, a afirmação de um promotor que preferiu não se identificar, publicada na edição de ontem da Folha, de que teria ‘‘ressuscitado o muro da escracho’’ não procede. ‘‘Foi uma das primeiras coisas que proibi aqui.’’. Segundo ele, o promotor deveria se identificar antes de acusar ‘‘tão levianamente’’.
Para os profissionais que cobrem a área policial, a atitude de Colaço foi uma provocação. ‘‘Ele está penalizando dessa forma as críticas que vem recebendo. Mas a gente vai continuar divulgando tudo o que acontecer, principalmente porque a PM colabora’’, afirmou o radialista Evandro Ribeiro, da rádio CBN/Tabajara. ‘‘A melhor resposta que ele poderia dar, não só para nós como para a cidade, era a de investigar crimes e prender os criminosos’’, completou o apresentador Carlos Camargo, da rádio Paiquerê AM e TV Tarobá.
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Londrina divulgou, ontem de manhã, uma nota de repúdio, condenando a ação de Colaço de dificultar o acesso da imprensa BOs.

mockup