Cambé O delegado de Cambé (13 km a oeste de Londrina), Valdir Abrahão, relaciona boa parte dos homicídios que ocorreram na cidade à rede do tráfico de drogas de Londrina. Alguns bairros de Cambé, cujo índice de criminalidade é considerado alarmante por autoridades policiais, seriam extensões de quadrilhas especializadas em comercializar entorpecentes, principalmente crack e cocaína. Na opinião do delegado, o acerto de contas, motivado pelo não-pagamento de dívidas, seria uma das razões pelas quais a cidade, que possui cerca de 100 mil habitantes, teria atingido, no domingo passado, a marca de 22 assassinatos. ''A atuação do tráfico de drogas da periferia de Londrina tem relação com os homicídios aqui em Cambé, com maior incidência em alguns bairros'', disse.
As principais conexões da malha de atuação do tráfico de Londrina seria, segundo o delegado, especificamente em quatro bairros: Jardins Campos Verdes, Novo Bandeirantes, Ana Elisa e Riviera. Os traficantes também teriam negócios em outro locais em menor intensidade , como os Jardins Silvino e Ana Rosa.
A violência urbana já começou gerar procupação em autoridades locais. Em maio, a Câmara Municipal enviou ao delegado um documento pedindo informações sobre o alto índice de mortes violentas. ''Não foi uma exigência, foi um pedido de esclarecimento. Os vereadores queriam conhecer um pouco as razões destas mortes, como brigas de gangues e acerto de contas'', disse.
Janeiro foi o mês mais violento do ano, com oito ocorrências, seguido de perto por fevereiro, que acolheu sete homicídios. O perfil das vítimas, segundo o delegado, convive lado a lado com a criminalidade. ''Grande parte das pessoas mortas tem passagem na polícia ou está de alguma forma envolvida com furto, roubo ou tráfico de drogas'', argumentou Abrahão.
A partir de março, porém, período que coincidiu com a posse de Abrahão na delegacia, as estatísticas são bem menos preocupantes. De março ao começo de julho, pouco mais de quatro meses, foram registrados sete assassinatos, mesmo número contabilizado em fevereiro. O delegado, no entanto, não considera a redução fruto exclusivamente do trabalho de sua equipe. ''O que fizemos foi intensificar as investigações logo após a ocorrência do crime, levantando no local o maior número de provas possíveis. Mas é difícil explicar porque ocorreu esta redução, tem época do ano mais suscetíveis a alguns tipos de crimes'', argumentou. Segundo ele, depois de assumir a delegacia, a polícia solucionou 90% dos homicídios,
O auxiliar de metalurgia Anderson Ferreira de Souza, 20 anos, se apresentou anteontem e confessou ser o autor do assassinato de César Correia Pontes, 22 anos, no último domingo. Souza entregou a arma do crime, uma Taurus 9 milímetros. Correia levou oito tiros. Segundo o delegado, o homicídio teria sido motivado por vingança.

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