Delegado recua sobre uso de DPs
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quarta-feira, 03 de abril de 2002
Maranúbia Barbosa<br>Reportagem Local 
O delegado-chefe da Polícia Civil de Londrina, Pedro Colaço, mudou o tom do discurso, recuou e disse que só reativa os 3º e 5º Distritos Policiais em caso extremo. Anteontem, ele contou que a reativação estava em seus planos. Ontem, porém, Colaço afirmou que, por hora, não quer nem cogitar essa possibilidade, principalmente para não cair em desgraça junto à população vizinha do 3º DP, que já se declarou contra a reativação da delegacia.
Fazer isso é implicitar um pedido de remoção da cidade ou pedir a aposentadoria antecipada, afirmou o delegado-chefe. A reativação também se chocaria com a posição da Secretaria de Segurança Pública, que na época na inauguração da Casa de Custódia, no fim de novembro, garantiu que os distritos não receberiam mais presos.
Antes de ter voltar a usar a carceragem, Colaço disse que tem outras opções. Remanejar os presos para a Penitenciária Estadual de Londrina (PEL), para a Casa de Custódia (como já está sendo feito) e também encaminhá-los para vagas em presídios em Curitiba são alternativas.
Além disso, ele afirmou que é capaz até de exceder o limite de vagas determinado pela Vara de Execuções Penais (VEP) nos 2º e 4º DPs. De acordo com a ordem judicial, o número não pode superar 36 homens em cada um dos distritos. O que não posso fazer é algemar preso em perna de mesa, disse ontem. Também não vou deixar preso em corró do CIT (Centro Integrado de Triagem), só para não ter que descumprir ordem judicial.
O delegado-geral da Polícia Civil, Leonyl Ribeiro, endossou o que Colaço disse ontem. Ribeiro garantiu que a polícia não tem medido esforços para não contrariar as ordens judicias. Entretanto, nem sempre as ordens podem ser cumpridas à risca, a tempo e à hora. O Estado, reforçou, está trabalhando, mas não é de uma hora para outra que se constrói uma cadeia.
Enquanto as obras não começam, disse Ribeiro, não dá para deixar o bandido solto. Ele adiantou que poderá solicitar prorrogação de prazo à Justiça, até que a Casa de Custódia seja ampliada ou até que novas obras sejam iniciadas.
O delegado-geral comentou a declaração de Colaço, que comparou as instalações da delegacia central de Londrina a um castelo medieval. Talvez ele (Colaço) esteja assustado, analisou. Conheço (a delegacia) há mais de 50 anos e não me assusto.
Para tentar minimizar a má impressão de Colaço e não causar-lhe mais sustos, Ribeiro vai dar uma melhoradinha no visual da delegacia, arrumar algum detalhezinho. Na opinião dele a polícia merece mesmo uma nova sede, compatível com o porte da cidade. O problema, lamentou, são os numerários. Custa caro.


