A Delegacia de Crimes contra o Patrimônio Público investiga se o empresário Joni Rodrigues agia sozinho ou servia apenas como testa de ferro em esquemas de sonegação fiscal e estelionato praticados em Curitiba. Rodrigues comercializava automóveis com policiais militares até o início deste ano, apesar de ser um foragido Justiça em Marília (SP), onde foi condenado a dois anos e oito meses por crime de estelionato em 1996. ‘‘O que eu quero saber é se este capital investido era do Joni ou se ele era um laranja na história’’, afirmou o delegado Lúcio Lugli.
Ontem à tarde, jornalistas da Folha e da TV Paranaense estiveram na casa onde Rodrigues residia, no bairro Uberaba. O caseiro, que pediu para não ser identificado, disse que o empresário está desaparecido há 15 dias. Ele não pagou os dois últimos aluguéis. Numa repartição independente da residência, onde funcionava o escritório de Rodrigues, os jornalistas localizaram a cópia do Cadastro de Pessoa Física (CPF) do chefe do Comando do Policiamento da Capital (CPC), coronel Justino Henrique de Sampaio Filho, que está de férias. No xerox consta o endereço residencial do policial militar escrito a mão.
O coronel aparece em uma festa reservada a oficiais feita em setembro do ano passado em homenagem ao deputado e presidente da Assembléia Aníbal Khury (PFL). As imagens mostram Rodrigues conversando, rindo e cumprimentando vários policiais.
Há cerca de duas semanas, a residência de Joni Rodrigues foi invadida por policiais militares que foram lesados em negócios com carros. Eles reviraram toda a casa, levaram automóveis que estavam no local e outros objetos. No escritório do empresário, onde a cópia do CPF do coronel Justino estava, existem sinais de arrobamento na janela. Um arquivo e uma escrivaninha, além de uma montanha de papel, como notas promissórias, contratos de financiamento, contas de luz e xerox de identidades de possíveis clientes, era o que restava no local.
Rodrigues e a mulher, Rosângela Abusio Rodrigues, tiveram prisão preventiva solicitada à Justiça há duas semanas. Eles respondem a dois inquéritos na Delegacia do Consumidor (Delcon) por evasão fiscal e estelionato. Outros dois inquéritos foram instaurados contra o empresário por crime de sonegação fiscal na Delegacia de Crimes contra o Patrimônio Público. Rodrigues tinha um bom relacionamento com o alto comando da PM e chegou a estender uma faixa em um dos quartéis da polícia para oferecer financimentos de veículos. A faixa estava abandonada numa despensa da antiga residência do empresário.
No sábado, a Folha revelou que Rodrigues tinha PMs do serviço reservado trabalhando como seguranças em sua revendedora. Um inquérito policial na Delegacia de Crimes contra o Patrimônio Público apura uma confusão que quase acabou em tiroteiro envolvendo agentes da P-2 e investigadores da delegacia que realizam uma campanha próximo ao estabelecimento, localizado no bairro do Uberaba. O comandante geral interino da Polícia Militar, coronel Valdemar Kretschmer, disse ontem que os policiais trabalhavam nas horas de folga ou quando estavam em férias.‘‘Não temos envolvimento com ele e não determinamos que nenhum policial trabalhasse lᒒ, informou o coronel Kretschmer. Ele disse que o comando só soube da presença de policiais na revendedora de Rodrigues depois que PMs começaram a reclamar das condições impostas pelo empresário para quitar as parcelas dos financimentos.

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