Edson GuittiCão mastin napolitano no Freedog, durante perícia, anteontem

O delegado Benedito Aurélio Gonçalves, que preside o inquérito sobre o ataque de um casal de cães da raça Mastin Napolitano ao tratador Marco Aurélio da Silva, semana passada, em Maringá, disse ontem à Folha que os donos do canil Freedog serão responsabilizados pelos ferimentos causados ao funcionário. Kazuo Tamia, proprietário dos cães, deverá ser ouvido ainda hoje pela polícia de Apucarana, a pedido da polícia de Maringá. O pai de Kazuo, o bicheiro Mário Tamia, foi morto pelos mesmos cães, em dezembro, em Apucarana.
Embora consciente, o estado de saúde de Marco Aurélio ainda era considerado grave ontem. Ele está internado na UTI do Hospital Santa Rita desde sexta-feira, quando teve a perna esquerda amputada.
Segundo o delegado, Marco Aurélio trabalhava há 10 meses no canil e não tinha carteira assinada. ‘‘Só isso já é suficiente para incriminar os donos do canil’’. Ari Borges da Silva e o filho dele, Ari Marcos, proprietários do canil, também deverão pagar indenização trabalhista ao tratador.
A ação trabalhista depende ainda de um laudo que deverá ser feito quando o fiscal Ernesto Spoganicz, da Delegacia Regional do Trabalho, retornar de suas férias, no final deste mês. Spoganicz é o único fiscal do Ministério do Trabalho designado para atender os 30 municípios da região de Maringá.
Gonçalves também aguarda informações da polícia de Apucarana para saber se existe algum dispositivo legal que determine a apreensão ou mesmo o sacrifício dos animais. ‘‘A lei não é clara e também não existe precedente. Na verdade, não sabemos o que fazer com os cães.’’
Para o proprietário do canil, o incidente com o tratador ocorreu por causa de um descuido dele. Borges da Silva disse que o rapaz deveria ter retirado os animais do recinto deles antes de iniciar a lavagem do canil.

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