Delegado que investigava PMs foi afastado
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quarta-feira, 20 de novembro de 2002
Rosana Félix<br> Equipe da Folha 
Curitiba O delegado de Homicídios de Curitiba, Sebastião Ramos dos Santos Neto, foi afastado ontem da apuração que fazia sobre o envolvimento de dois policiais militares na morte do adolescente Ânderson Froese de Oliveira, ocorrida no início do mês. O inquérito será anexado ao Inquérito Policial Militar (IPM), de responsabilidade da própria corporação. Os soldados Nilton Hasse e Afonso Odair Konkel estão presos no Batalhão de Guarda da Polícia Militar (PM).
A Auditoria Militar, órgão da Justiça Comum, encaminhou pedido ao juiz da Central de Inquéritos, Marcel Wallbach Silva, para remeter o inquérito ao órgão. Silva, que decretou prisão preventiva dos soldados no dia 11, acatou o pedido. Os policiais ficaram foragidos até quinta-feira passada, quando se apresentaram ao comando da PM. De acordo com o advogado de defesa, Peter Amaro de Souza, a Polícia Civil não tem competência para julgar policiais militares em atividades cometidas durante o expediente. Se o IPM constatar que houve crime doloso, o processo é remetido para a Justiça Comum.
De acordo com a advogada de acusação, Letícia Lopes Jahn, será encaminhado pedido ao Tribunal de Justiça para decidir sobre o conflito de interesses. ''Nós não esperávamos por isso porque a lei diz que crimes dolosos contra a vida são de responsabilidade da Justiça Comum. A família teme pela parcialidade da Justiça Militar'', afirmou.
Ânderson morreu durante confronto com os soldados que alegaram que ele era suspeito de cometer assalto e teria reagido à abordagem policial com uma arma. A família sustenta que o adolescente foi confundido e não tinha arma alguma. A reportagem da Folha tentou falar com o delegado Santos Neto, mas ele não foi encontrado na delegacia ontem à tarde.


