Delegado proíbe divulgação de crimes
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segunda-feira, 15 de abril de 2002
Telma ElorzaReportagem Local 
Com apenas uma única determinação do delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial (SDP) de Londrina, Pedro de Jesus Colaço, os índices de criminalidade divulgados na cidade caíram pela metade na última semana. Milagre? Não. A imprensa foi proibida de ter acesso aos boletins de ocorrência (BO) do plantão da 10ª SDP, onde são registrados todos os crimes ocorridos. Todos os veículos de comunicação da cidade estão com dificuldades de saber, ao certo, quantos roubos e furtos foram registrados.
Segundo policiais da 10ª SDP, que pediram para não ser identificados, a determinação feita por Colaço é para que os plantonistas questionem as vítimas se desejam ou não terem seus nomes e os fatos divulgados. Como alguém vai querer divulgar que foi roubado se o cara ameaça, dizendo que os bandidos podem voltar para retaliação? Só que isso nunca aconteceu, garantiu um policial. A Folha testemunhou que outros plantonistas nem perguntam se a vítima quer a divulgação do crime.
De acordo com um policial, a falta de informação para a imprensa acaba prejudicando o trabalho. A imprensa é nossa parceira. É através dela que a comunidade fica sabendo dos crimes e nos liga para passar informações que podem levar a prisão, explicou.
Foi contando com a ajuda da imprensa que o vendedor Antônio Pen, 54 anos, foi ontem à 10ª SDP. Ele teve o Fiat Uno, placas ROB 4108, roubado na sexta-feira à noite e estava desesperado. Eu preciso do carro para trabalhar, só paguei uma prestação do financiamento. Quem sabe assim, com a imprensa, alguém possa me ajudar.
Segundo o delegado-chefe, a determinação é para preservar o direito constitucional das vítimas. Estamos apenas respeitando o que diz o artigo 5º, inciso 10º da Constituição Federal, que preserva o direito da vítima de ter sua imagem resguardada, afirmou.
De acordo com Colaço, a determinação não tem a intenção de mascarar índices de criminalidade e os plantonistas não pressionam as vítimas pela não divulgação dos fatos. Tivemos que tomar essa atitude para preservar as vítimas e que não estavam sendo respeitadas pelos veículos de imprensa, afirmou. Ele disse que a falta de divulgação não vai prejudicar o trabalho da polícia. E mesmo que houvesse essa possibilidade, é preferível a expor a imagem da vítima.
O fato dos veículos de comunicação fornecerem o papel para a imprensão dos BOs é considerado por Colaço como humilhante. A imprensa não faz isso com a Polícia Federal, com a Polícia Militar, nem com o Ministério Público. A obrigação é do Estado, que nos dá condições de trabalhar.


