O delegado do 1º Distrito Policial (DP) de Londrina, Marcos Belinati, começou a ouvir ontem as 22 testemunhas listadas no inquérito que apura a morte do empresário Ciro Frare, 67 anos. Ele foi assassinado a tiros, na manhã da última quinta-feira, dentro da Concessionária Cipasa (Área Central), de sua propriedade. O delegado revelou que deverá pedir a quebra do sigilo telefônico e bancário e que ''a qualquer momento'' poderá representar pela prisão preventiva do autor confesso do crime, o diretor da concessionária Ibrain José Barbino, 55 anos. A medida deve ser tomada independente do prazo de cinco dias dado pelo juiz da 1 Vara Criminal, João Luiz Clève Machado, para a defesa do suspeito apresentá-lo à polícia.
O delegado considerou que os depoimentos de quatro gerentes pouco contribuíram para esclarecer os motivos do crime. Além do motivo do crime, o delegado busca saber se já foi feita ou não uma auditoria interna para explicar diferenças contábeis no valor de R$ 3,7 milhões a partir do ano de 2000. Algumas testemunhas teriam declarado que a apuração já havia acontecido e outros disseram que ela estaria por acontecer.
O principal depoimento do dia foi do ex-contador da Concessionária Cipasa José Terra Júnior, 35 anos, que descartou a possibilidade de desvio do dinheiro. Ele afirmou que um ''erro técnico-contábil'' teria sido provocado, descoberto e informado por ele à direção da empresa. O ex-contador, que segundo o delegado ainda não teria sido demitido formalmente, disse que um dia antes do crime se reuniu com a vítima e com Ibrain à tarde, quando teria dado explicações sobre o ''erro'' e repassado detalhes sobre a função a outro funcionário. Quanto à auditoria, ele declarou que já teria ocorrido pois se trataria de procedimento padrão, realizado a cada seis meses. A comprovação do erro teria levado Ibrain a demiti-lo há 21 dias. O ex-contador trabalhava há 18 anos na empresa e assegurou nunca ter visto Ibrain armado.
Belinati afirmou que pedirá a prisão preventiva de Ibrain no momento em que considerar necessária, uma vez que o prazo de cinco dias concedido pela Justiça para o diretor se apresentar não existiria ''no mundo jurídico''. Ele comentou que Ibrain poderá ser indiciado por homicídio triplamente qualificado - premeditação, vingança e sem possibilidade de defesa à vitima -, além de outros crimes.
Belinati preferiu não comentar por que Ibrain não foi preso ao se apresentar à Justiça e entregar a arma do crime, uma vez que o diretor teria o registro da arma mas não a autorização para portá-la em público. Além disso, numa propriedade do diretor foi apreendida, horas depois de crime, uma Saveiro montada em um chassi de um Gol, furtado em 1983 em São Paulo, com placas de uma Parati. O veículo está sendo submetido a uma perícia.
Questionado sobre o assunto no início da noite, Clève Machado afirmou que não recordava de detalhes de quando o diretor se apresentou acompanhado do advogado Antônio Amaral. Ele disse que iria consultar o inquérito e que hoje estaria disponível para todos os esclarecimentos. Amaral também foi procurado pela reportagem mas não retornou o pedido de entrevista até o fechamento desta edição. (Colaborou Alan Maschio)

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