Delegado pedirá prisão de suspeito
Sid Sauer
De Campo Mourão
O delegado Lindomar Alves Júnior, de Campo Mourão, disse ontem que deverá pedir, até segunda-feira, a prisão temporária de José Pereira, apontado até agora como um dos principais suspeitos pela morte de mãe e filha, segunda-feira à noite, na zona rural de Iretama (70 km ao sul de Campo Mourão). O pedido será feito depois que o delegado tiver em mãos o laudo técnico elaborado pelo Instituto Médico-Legal (IML).
Pereira é filho de Guilhermina Machado Pereira, que foi dona do sítio onde Cleuza Sacomã de Almeida Pires, 40 anos, e a filha dela, Lílian de Almeida Pires, 14, foram degoladas. Hoje a propriedade pertence ao marido de Cleuza e pai de Lílian, José de Almeida Pires Neto, 46. A suspeita sobre Pereira aumentou com depoimento dado pela mãe dele. Dona Guilhermina, de 77 anos, disse que o filho havia prometido matar quem comprasse o sítio dela.
A venda do sítio aconteceu há cinco anos. Guilhermina contou à polícia que Pereira não concordou com o negócio e disse que iria cortar o pescoço dos novos proprietários. Algum tempo depois, ele voltou a procurar a mãe para dizer que queria receber sua parte da herança. Diante da recusa de Guilhermina, Pereira teria feito novas ameaças de morte.
O delegado Lindomar Alves Júnior ouviu oito pessoas. Uma delas disse que viu Pereira numa estrada que corta o sítio na tarde do crime. A testemunha contou que chegou a conversar com Pereira, que estava usando uma camisa branca suja, calça jeans e uma mochila. O depoimento reforçou a suspeita da polícia, uma vez que Pereira não está mais morando na região.
As informações que temos é que ele tinha ido para Rondônia, mas nem sabemos para qual cidade, disse o delegado. Um amigo dele contou à polícia que não via Pereira na região há cerca de um ano. Até ontem à tarde, a polícia não tinha informações sobre o paradeiro do suspeito.
O delegado não descarta a possibilidade de o crime ter sido praticado pelo próprio marido e pai das vítimas. Ele acha estranho que José de Almeida Pires Neto tenha ido chamar a ajuda de vizinhos e parentes antes de procurar pela mulher e a filha, e que só os vizinhos tenham encontrado os corpos. Dá a impressão que ele foi buscar álibis, supõe.
Segundo análise preliminar do IML, a faca usada no crime era ruim de corte, o que obrigou o assassino a ficar serrando o pescoço das vítimas. A pancada que partiu o crânio de Cleuza foi dada por um machado já achado pela polícia. Lindomar estranha o fato do machado estar ao lado do corpo da filha, que foi morta apenas com uma faca. Ele mandou retirar impressões digitais do machado. O delegado também suspeita que a carteira do pai, que estava na mão da filha, tenha sido colocada no local após o crime.





