Delegado pedirá prisão de sem-terra
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sexta-feira, 12 de março de 1999
Maurício Borges 
O delegado de Ivaiporã (120 km ao sul de Apucarana), Aparecido Antônio Gregório, anunciou ontem que já tem indícios de autoria do furto de gado ocorrido quinta-feira na Fazenda Corumbataí, conhecida como 7 Mil, e que pretende pedir a prisão preventiva de integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). O inquérito, que apura o furto de 117 cabeças de gado apreendidas em três caminhões, anteontem, em Manoel Ribas, será, a partir de agora, conduzido pela Delegacia Regional de Ivaiporã.
Gregório revelou que, pelos depoimentos dos motoristas dos caminhões e do comprador dos animais, será possível identificar os líderes do acampamento do MST na Fazenda 7 Mil. Os sem-terra são os verdadeiros autores do furto e venda dos animais, afirmou o delegado. Os motoristas estão sendo indiciados por receptação culposa.
Ainda ontem o advogado Sérgio Canan, representando o Frigorífico Frigorei e a Transportadora Boeff Ltda, ambos de Toledo, esteve nas delegacias de Manoel Ribas e Ivaiporã, para a requerer a liberdade dos três motoristas e a liberação dos caminhões apreendidos pela polícia. O advogado explicou que os caminhões foram apenas alugados ao comprador José Carlos Lole, para o transporte dos animais.
No início da noite de ontem, o delegado Aparecido Antônio Gregório iria arbitrar fiança para a soltura dos motoristas Sinedir Candido de Oliveira, Marcelo Zavatin Lole e Antônio Soares Pereira.
A polícia apurou que, na realidade, ele pagou aos sem-terra R$ 108 por cabeça, enquanto o valor de mercado das novilhas é de R$ 110 a R$ 160.
Até ontem, nenhum advogado ou representante do MST procurou a polícia para manifestar-se sobre a acusação. O MST também não retornou ligações feitas pela Folha.


