Delegado pede reforço para conter violência
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sexta-feira, 30 de agosto de 2002
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Os delegados dos seis distritos policiais de Londrina se reuniram ontem à tarde com o delegado-chefe da 10 Subdivisão Policial (SDP), Pedro de Jesus Colaço, para discutirem, a portas fechadas, as mortes violentas que estão assustando o londrinense e as medidas efetivas a serem tomadas para fazer com que o número de homicídios pare de crescer. Uma das necessidades levantadas é que é preciso mais investigadores nos distritos. Colaço garantiu que irá solicitar ao Departamento de Policiamento do Interior que desloque mais dois investigadores de outras praças para cada um dos distritos locais.
''Ao invés de criarmos uma Delegacia de Homicídios (com deslocamento de pessoal dos DPs), pediremos que se reforce cada um dos distritos com pelo menos mais dois investigadores vindos de fora'', destacou Colaço. Isso poderia melhorar a qualidade da apuração das investigações e levar a Polícia a elucidar mais rapidamente os crimes. Hoje, segundo ele, cada distrito de Londrina conta com quatro investigadores.
Em Londrina, conforme estatística divulgada ontem por Colaço, foram registrados 89 homicídios de 1º de janeiro a 30 de agosto deste ano, sendo que 55 foram esclarecidos. Porém, acompanhamento diário feito pelos veículos de imprensa local dão conta de que o total de homicídios até ontem era 92, já computando a morte do jovem Rafael de Oliveira, 20 anos. ''Não descartamos que a imprensa esteja correta'', considerou o delegado, dizendo que a diferença pode estar na Delegacia do Menor, que não esteve representada na reunião.
Segundo a Polícia Civil, grande parte das mortes foram motivadas por acerto de contas envolvendo a distribuição ou o uso de entorpecentes. Depois de analisar os pareceres dos delegados, Colaço disse que é improvável a atuação do crime organizado nos casos de homicídios.
Apuradas as mortes, os delegados passaram então a discutir medidas para deter a onda de violência. Com relação ao levantamento dos bares e boates clandestinos, considerados focos de propagação de crimes, Colaço divulgou que pelo menos 80% dos estabelecimentos visitados nas quatro grandes regiões da cidade estão irregulares e deveriam ser fechados. Apenas no Jardim União da Vitória (zona sul), todos os mais de 40 bares visitados funcionam sem autorização. Quatro já foram fechados pela polícia. Dados da Divisão de Alvará da Prefeitura Municipal dão conta de que existem 857 bares, boates, bingos e lanches em situação regular. ''Vamos solicitar ao prefeito, já na segunda-feira, que designe fiscais para acompanhar as diligências da polícia'', revelou.
Nesta semana, os delegados vistoriaram mais de 120 estabelecimentos e 25 foram fechados. O problema colocado pelas autoridades é que o número de bares é muito grande e que funcionam nas próprias casas dos proprietários. Menos de 24 horas depois de serem lacrados, eles voltam a abrir as portas e receber clientes.


