Delegado pede prisão preventiva de suspeito
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quinta-feira, 27 de maio de 2004
Fábio Galão<br>Reportagem Local 
O delegado, Márcio Amaro, da Delegacia de Homicídios, enviou ontem à Justiça pedido de prisão preventiva do auxiliar de enfermagem David Fernando Dessunti, 24 anos, principal suspeito de ter assassinado a própria esposa, a estudante de enfermagem Eline Maria Rodrigues Gomes Dessunti, 23 anos. Amaro decidiu fazer a requisição porque hoje vence o prazo da prisão temporária de Dessunti, que está detido no 2º Distrito Policial (Zona Leste) desde o final do mês passado.
Eline foi encontrada morta com um tiro na cabeça no dia 2 de abril, na residência dela, localizada em um condomínio na Zona Oeste de Londrina. Ontem à tarde, Amaro recebeu por fax o laudo de uma análise laboratorial feita no Instituto de Criminalística de Curitiba, que apontou que o sêmen que foi encontrado no corpo da estudante logo após o crime era realmente de Dessunti.
Segundo o delegado, em depoimento, o auxiliar de enfermagem disse que nos quatro dias anteriores ao assassinato não fez sexo com Eline. ''O laudo não indica necessariamente que ele é culpado, mas prova que ele mentiu quando deu uma informação'', comentou Amaro. O delegado comentou que o depoimento de Dessunti, que negou a autoria do crime, continha outras contradições, que reforçaram as suspeitas que recaem sobre ele.
Uma delas diz respeito aos horários de fatos ocorridos na manhã do crime. À polícia, Dessunti afirmou que no dia do homicídio saiu da residência do casal por volta das 7h20, e que neste horário a esposa estava viva. Entretanto, segundo Amaro, um vizinho relatou que ouviu um tiro às 6h40. Além disso, o exame de necrópsia apontou que o homicídio foi praticado antes das 7 horas. Outra contradição foi o relato de Dessunti de que naquele dia ele planejava sair de moto, mas não o fez porque o veículo não pegou. O vizinho apontou que na manhã do crime não ouviu nenhum barulho de alguém tentando ligar uma moto.
Uma terceira incoerência foi verificada quando Dessunti informou que, após a moto ter falhado, ele pegou o outro veículo do casal, uma caminhonete, para ir até o estágio no Jardim Silvino, em Cambé (13 km a oeste de Londrina). Para isso, tomou um caminho diferente, passando pela Avenida Tiradentes. À polícia, Dessunti disse que foi até a avenida para abastecer o veículo porque os postos próximos à sua casa estariam fechados. Segundo Amaro, a polícia apurou que naquele horário os postos da região estavam funcionando normalmente. Como eletrodomésticos sumiram da casa, o delegado acredita que Dessunti forjou um latrocínio e não foi direto para o estágio porque antes precisava se livrar dos pertences.


